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CARTA DE ADEUS DE AMOR [eterno]

[extremamente sigiloso e confidencial]

Dessa vez você conseguiu fazer-me dizer-te adeus. Não existe nada pior que a ausência, pois você não trai com a carne, você trai com a intenção. Não passarei mais uma noite sequer a espera de uma carta, uma mensagem qualquer. Nunca mais. Não espero nada mais. Nada.

Você não precisa mais viver essa incerteza. Não haverá uma escolha, pois não existe mais espera alguma dentro de mim. Agora podes me odiar sem culpa, e não ter ódio do mundo. Agora tudo ficará bem, pois estou partindo para longe.

Você jogou comigo. Usou-me como um trapo velho e sujo pra limpar seus sapatos enlamaçados, e depois jogou-me num canto escuro e morto. Agora estamos quites. Somos os dois, seres miseres egoístas, cruéis e insensíveis. O que houve entre nós não foi nada além da busca cega e egoísta pelos desejos da carne e do espírito.

Se houvesse algo diferente, não despedaçaria assim, na busca dos próprios interesses, na busca de justificativas para nossas dores individuais. Não seríamos tão individuais como somos, distantes um do outro, com tantas e tantas barreiras intransponíveis. E em mim não existe mais amor suficiente para ultrapassá-las.

Todas as vezes que você se aproximou, entreguei-te minha alma, ofereci-te menina apaixonada e frágil, e você esbofeteou-me. Toda sua indiferença foi como um tapa. E ofereci-te minhas duas faces por várias vezes e você aceitou.

Você não sabe onde está sua felicidade. Talvez focar mais em si mesmo, seja necessário para descobrir o que precisa pra ser verdadeiramente você. Porque toda essa sua inconstância, tem feito as pessoas chorarem.

Para curar uma ferida aberta, é preciso deixá-la quieta, quando não existe remédio. Ou, se existe, esse remédio agora está muito ocupado com qualquer outra coisa.

Eu seria capaz de lutar por uma estrela no céu para presentear-te. Mas só conseguiria se não me deixasses sozinha numa noite fria, como a de hoje. Assim, como eu jamais te deixaria sozinho, numa noite estrelada, se me chamasses.

Não me digas nunca mais que escreveu um poema pra mim. Não quero mais ser iludida. Vou buscar a felicidade, que me grita a todo o momento, distante de você. A vida tem pressa, e não posso mais ficar a espera de alguém que promete, mas nunca vem.

[anônimo]
Renata Marques
Enviado por Renata Marques em 12/07/2006
Reeditado em 12/07/2006
Código do texto: T192697
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Sobre a autora
Renata Marques
São José dos Campos - São Paulo - Brasil, 36 anos
12 textos (16531 leituras)
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Renata Marques