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A UM AMOR PERDIDO.

Hoje acordei muito saudosista de mim. E lembrando de mim foi inevitável não lembrar de você. A vida não é engraçada, ela é vida, pura e sem vontade. A vontade é inerente ao homem, a vida não. Ela está ali, estática, sendo vivida dia após dia. Nós é que, por uma ou outra via, atropelamos os acontecimentos e, por inevitável, vem o arrependimento. A vida nos mostra caminhos simples, onde podemos andar e não ser nem exageradamente alegres ou demasiadamente tristes. Complicamos tudo, sempre estamos a procura de algo mais, mais que queira alguém dar, mais do que a gente pode suportar.

Estou reformulando pensamentos, escrevendo algumas poesias, elas nem sempre são de sofrimento ou de alegria, são só de vida. Elas são momentos que foram vividos e os ainda idealizados que estão dentro de mim. Nelas  ponho meus confrontos do Si-Mesmo e tento resgatar um local, em mim, em que eu descanse e obtenha forças para não ver tudo com olhos de extremo otimismo nem os com os do terrível derrotismo.

Por que falo de tudo isso? É que andei fazendo a contabilidade da vida, precisamente dos episódios vividos e dos que penso ainda viver. Se eu pensar só no que vivi fecho a porta de novas perceptivas e vivências, não é mesmo? Nessa contabilidade apurei que tenho bons amigos, alguns presentes outros nem tanto; uns muito risonhos, outros nem tanto; e cheguei até você. Eu sempre te tive por bom confidente, como a pessoa que eu poderia confiar meus mais íntimos segredos. Aí é que está o seu diferencial no peso de todas as amizades e convivências que tive. Você sempre foi muito sincero e por isso muitas vezes brigamos. Você é meio distraído, anda no mundo da lua, às vezes nem repara que falou algo que cutucou a ferida ainda aberta, e, nem se dá conta do porquê eu chorei muitas vezes calada.

Assim, verifico que não há motivos para que não sejamos os amigos que sempre fomos. E quando possível partilhar os problemas que nos são comuns, afinal, foram muitas histórias entrelaçadas que não podem ser jogadas fora, como se não tivessem existido. Elas existiram, foram frutíferas. Criamos muitas coisas belas juntos. Construímos em nós alguns hábitos positivos. Lembra que adorávamos ir ao cinema e depois comer um crepe, ou qualquer coisa antes de chegar em casa só para comentarmos o filme? E quando chegávamos em casa íamos juntos olhar as crianças dormindo...

Filhos, que bela construção fizemos juntos. Agora terão que se acostumar viver em duas casas novas.  Mas, penso ser importante que reafirmemos que somos, ainda, os mesmos: o pai e a mãe, só que agora vivendo separados. Explicar que não somos mais marido e mulher, mas os pais que lhes darão acolhimento em qualquer ocasião. Adorei sua visita fora da data estabelecida. Às vezes essas formalidades precisam ser quebradas, mas é bom que não deixemos aquelas pequenas cabecinhas confusas...Você não vai acreditar, mas no dia seguinte levaram as frutas que você trouxe para o lanche da escola. E nós que passamos uma vida inteira tentando não deixar que levassem biscoitos e sim uma coisa mais saudável...São surpreendentes, não? Vê? Isso já é algo positivo!

Sei que é mais difícil para você falar, então pense em tudo que eu disse. Se quiser escrever acho que será melhor para você e para mim, assim evitamos as emoções desmedidas. Escreva somente quando quiser, não estou te compelindo a nada; melhor é  deixar, antes, as coisas se aquietarem. Não tardará muito e você encontrará um novo amor, espero que seja feliz tanto quanto eu também quero ser, acaso alguém surja em minha vida. Gostaria de te pedir mais uma coisa: quando você começar a namorar não venha com ela, de imediato, aqui na nossa casa, ou melhor, minha casa e das crianças. Seria pouco prudente para nós e para elas. Tentarei fazer o mesmo, só quando eu conhecer melhor alguém é que poderei falar em “namoro”. Sabe que acabei rindo de mim agora, pareceu tão estranho e controlador. Mas o que você acha disso?

Acho que já disse tudo que tinha para dizer, pelo menos por agora, nesse nosso novo momento. Eu julgava ser muito importante dizer outras coisas para você, mas não faltará oportunidade melhor. Algumas coisas não precisam mais ser ditas. A nossa decisão já fala por si só, e não vejo motivos para sofrermos ou nos agredir. Na verdade eu queria muito te agradecer. Sim, acredite. Se em alguns momentos você foi intolerante, em outros foi um excelente amigo e pai presente. Sempre dando o melhor de si, pelo menos na forma que você aprendeu se expressar. Continuaremos vivendo nossas vidas, mas de outra forma, acho que de uma forma mais suave para nós dois.



Um abraço.

De uma pessoa que não pode ser mais sua melhor amiga, somente uma boa amiga.
Divina Reis Jatobá
Enviado por Divina Reis Jatobá em 27/11/2006
Reeditado em 07/07/2008
Código do texto: T303076

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Sobre a autora
Divina Reis Jatobá
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 55 anos
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Divina Reis Jatobá