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A/c Minha Vida

Vida,

Quando eu penso que você não tem mais nada pra me dizer vem você com um sorriso no rosto e com essas pequenas esperanças - míseras três palavras - que fazem a gente enxergar tudo de um outro modo.

(Ó, já adianto que não vou ser clichê e que as três palavras não são "Eu te amo". Nem tudo é sobre amor. Na verdade, filosoficamente falando, é. Mas hoje não é. Até meio que é. No fim, tudo acaba sendo. Amor é complicado. Vamos prosseguir.)

Foram três palavras que não farão o menor sentido se colocadas aqui. Não sem contexto. E como do contexto é a última coisa que eu quero falar, vamos deixar um clima alá Valdemort e somente chamá-las de as "três-palavras", combinado?

Quem as disse nem deve ter se dado conta do que passou. Só quis mesmo arrancar uns risos, ser visto, não sei. Mesmo assim, mesmo não tendo significado nenhum pra quem disse - e aqui reforço que não sei se teve ou não - pra mim abriu um caminho sensacional.

(Outra ressalva é a de que ainda posso estar te contando tudo isso com o orgulho ferido, viu vida. Com resto de pose de imponente e de superior que tenho mantido essa semana. Se tô ou não, não consigo te dizer agora. Não é nem questão de escolha, é que não sei mesmo. Mas se eu descobrir, depois eu juro que volto pra te dizer.)

Me desculpa se for mais uma vez meu egocentrismo cultivado ao longo desses anos de baixa auto-estima que vai falar daqui pra frente. Mas também, se for, narciso taí pra provar que contanto que você não olhe pro lago, vai ficar tudo bem. Sendo ou não, vou arriscar: Sentiram minha falta final de semana passado.

E tô contente com isso. Apesar de tudo.

Tudo isso - e bota tudo nesse nisso - fez eu enxergar umas coisas que sempre tiveram ali e que tavam difícil de enxergar.

Eu não sou assim, não. Não sei nem quero guardar rancor, de nada nem de ninguém. Não consigo. Tento, mas não consigo. E acho isso ótimo. Me chame de otário por isso, vida, mas acho mais fácil mudar a definição de otário pra uma que defina minha personalidade do que eu deixar de ser assim tão joão, tão otário.

Mas enfim, né, as "três-palavras".

Me fizeram entender que não existe lado certo e lado errado. Que tudo vai acabar num lado só. Que você pode fazer quanta burrada for que sempre vai ter alguém ali, pra te levantar ou vez ou outra, te derrubar mais ainda.

Sempre.

Hoje vieram me contar que uma pessoa desconhecida foi comentar de mim pra uma outra pessoa desconhecida minha. Nunca troquei nenhuma palavra com nenhuma das duas pessoas em questão. Mas tavam lá, comentando sobre mim. Por quê hein, vida?

Já não basta eu ter que me preocupar com minha própria cabeça? Ainda vou ter que ficar policiando pra tentar entender a cabeça dos outros? Não dá.

Nesses últimos tempos minha frase tema - que vem sendo proferida as vezes involuntariamente - tem sido "tá tudo errado".

Tava engraçado, até um tempo atrás. Eu dizia, rindo, que tava tudo errado.

Pois é. Mas agora, tá machucando.

Continua tudo errado. Com uma dose de realidade absurda que nunca tinha tido. Mas quer saber, vida? Vou continuar levando.

Na esperança de acordar amanhã com uma inspiração pra resolver tudo. Se não for amanhã, eu espero. Um mês, dois, um ano, dez.

Sou jovem.
João Aranha
Enviado por João Aranha em 11/08/2011
Reeditado em 11/08/2011
Código do texto: T3152731
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Sobre o autor
João Aranha
Campinas - São Paulo - Brasil
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