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UM COPO, UM CIGARRO E A SAUDADE!




Certamente o destino me reservara uma estadia aterradora num mundo alucinante, onde auras negras, num imensurável assédio mental, a todo instante, de maneira intermitente, tentava induzir-me ao erro, que certamente me remeteria ao monturo causticante da melancolia e podridão, onde a depressão, em conluio com a  avareza, era primícia fundamental para a glória sintomática do isolamento mórbido, recheado com fagulhas de insanidade que a todo instante me direcionava para o momento fatal que culminaria na absorção de minha alma. Frente a minha recusa, o demônio cochichou me oferecendo um pacto. Descartei o acordo, já acumulara perdas irreparáveis e não tencionava dar sobrevida ao padecimento. Segurei a garrafa e despejei o liquido viscoso da desgraça engarrafada, o copo, sorridente, agradeceu ao sentir a dança do liquido. Acendi um cigarro e ingeri o fel do cálice demoníaco. A vertigem da embriagues mostrou-se em sua plenitude. Também a nicotina datilografava o ar se despedindo de mim. A sepulcral noite fora atingida por enxeridos raios. O pranto rolou, ainda pude guardar uma solitária lágrima para o apocalipse final. Engoli em seco a última frase. Não vislumbrava futuro algum, o presente quedava abatido, enquanto que o passado não alardeava sequer memória de uma inútil mente desprovida de qualquer lembrança. Lembrei-me de teu mudo olhar, o sorriso amarelo, o beijo negado; findando no rompimento anunciado. O mal estava presente, condicionando-me à abreviação da vida. Não reparei a presença de nenhum clarão azul. Todos os anjos haviam me abandonado. Que seria de mim, se  nada fui? Vi a porta abrir-se, talvez uma entidade rancorosa tentando vingar-se...Um vulto, uma afiada e reluzente foice! Fechei os olhos para não sentir o golpe do aço da lâmina degolar-me. Um arrepio apossou-se de mim! Percebi mãos a afagar-me em ternura, estranhei. Num ato de derradeira coragem, olhei para meu algoz e vi a face, que não era da morte! Era minha amada que estava retornando para mim. Novamente fez-se luz, um esplendor absoluto invadiu o local. Ouvi os gorjeio dos pássaros, o azul celeste beijou minha face. Pude abraçar o meu amor que tinha os lábios gelados e seu corpo não se materializa totalmente! Mas eu fora atendido no último desejo e findei por dizer aquilo que estava guardado há décadas: “Eu só queria que você viesse e soubesse do vazio que deixou em mim, imutando para sempre meu coração! Porquê não me levou contigo para o lado de lá?” Enfim, descansei em paz e foi assim que morri...!



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"Escrevo o que sinto, mas não vivo o que escrevo"

Paulo Izael
Enviado por Paulo Izael em 29/07/2005
Reeditado em 08/11/2005
Código do texto: T38746
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Sobre o autor
Paulo Izael
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Paulo Izael

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