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Cartas a colegas jornalistas - Ciro Gomes


Colegas jornalistas,

No dia 25 de julho de 2000, quando atuava como assessor de imprensa do deputado federal João Herrmann Neto, então líder da bancada do PPS na Câmara de Deputados, convidei vários jornalistas para entrevista coletiva do então presidenciável Ciro Gomes (PPS), durante visita dele à cidade de Piracicaba, interior de S.Paulo.
Ciro Gomes foi a Piracicaba, fez contatos políticos, visitou o então bispo da cidade, D.Eduardo Koaik e, depois, no escritório político do deputado estadual Roberto Morais (PPS-SP) concedeu entrevista coletiva a jornalistas da cidade e região e a duas jornalistas de São Paulo. Apenas a jornalista SÍLVIA CORRÊA, da Folha de São Paulo, registrou a crítica feita pelo ex-ministro Ciro Gomes, que disse que FHC (o presidente Fernando Henrique Cardoso) “não rouba, mas deixa roubar”, na edição da FOLHA DE S.PAULO publicada no dia 26 de julho de 2000, com enorme destaque e que rendeu uma seqüência de matérias que envolviam Eduardo Jorge, então secretário geral da Presidência da República.
Ciro, como presidenciável, bateu duro em FHC e, as respostas ao que ele disse, foram pífias por parte do Palácio do Planalto. Ciro criticou duramente a “omissão” de FHC. Naqueles dias, Ciro aparecia nas pesquisas, em segundo lugar, atrás de Lula, como provável futuro Presidente.
Ciro Gomes, depois de ter perdido a eleição em 2002, ganhou um ministério no Governo do Lula e hoje, foi citado no depoimento de Roberto Jefferson, como um dos ministros que fora informado pelo assunto “mensalão” e que apenas “coçara a barba”. Teria omitido ou preferira não se envolver em assunto tão pesado? Teria peso político para abordar em assunto tão explosivo? Como ele agira diante de assunto tão grave?
A veemência e o destempero verbal de Ciro, então candidato a candidato à Presidência da República, era notória e ele ganhava, sempre, destaque nos jornais, pois era um dos que apresentavam, na época, um discurso inovador, cheio de alternativas para solucionar os graves problemas brasileiros. O andamento da campanha mostrou que o discurso de Ciro não se transformou em votos. Mas fez, dele, um aliado importante para Lula, principalmente pela postura ética que sempre demonstrou ter. Continua com a mesma postura e o mesmo equilíbrio?
Assim, diante dos últimos acontecimentos, das denúncias de Roberto Jefferson e do que anda acontecendo pelos lados de Brasília, valeria fazer algumas perguntas ao ministro Ciro Gomes, levando-se em conta o que dissera em 25 de julho de 2000, em Piracicaba, sobre o então presidente FHC:
1 - Ministro Ciro Gomes, o senhor, hoje, poderia afirmar que Lula não rouba, nem deixa roubar, ao contrário do que disse do presidente FHC?
2 – Ministro Ciro Gomes, o senhor que tanto criticou a omissão de FHC e de seu Governo no episódio Eduardo Jorge, que comentários poderia fazer sobre as atuais e várias omissões do Governo Lula em casos como o de Waldomiro Diniz e, mais recentemente, dos Correios e do apregoado “mensalão”?
3 – Ministro Ciro Gomes, atuando neste ministério sem muito prestígio, mas que lhe mantém razoavelmente na mídia, acha mesmo que seus ganhos políticos são mesmo importantes para se fazer acompanhar de colegas com tão poucas e boas recomendações pelos atos que andam praticando?
4 – Ministro Ciro Gomes, o senhor como profundo conhecedor das mazelas e da dinâmica de nossa política, acredita mesmo que o Palácio do Planalto e o presidente Lula não conheciam as negociações absurdas praticadas pelo tesoureiro do PT, o senhor Delúbio Soares e por outros membros do partido do Governo?
5 – Ministro Ciro Gomes, o senhor assinaria, hoje, uma declaração de idoneidade moral para alguns de seus colegas de ministério? O senhor poria a “mão no fogo” por alguns de seus pares neste ministério e pelo próprio presidente Lula?
Não sou eu, seu antigo eleitor, que faço estas perguntas. Estas perguntas, acredito, são de boa parte do povo brasileiro que votou no senhor e que hoje, gostaria de obter suas respostas. Como não tenho como lhe fazer esta pergunta diretamente, hoje, faço chegar as mesmas a meus colegas jornalistas para que eles, se possível, exijam suas respostas.
Democracia, creio eu, também seja isto.
Respeitosamente
Rogério Viana

Jornalista – Mtb 20780 Curitiba – PR

Ex-assessor de imprensa do deputado federal João Herrmann Neto (PDT-SP).
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Para ilustrar as denúncias de Ciro, em 25 de julho de 2000, anexo citações registradas na internet nos sites e links que aparecem a seguir.


Folha de S.Paulo - Rumo a 2002: FHC não rouba, mas deixa roubar, diz Ciro - 26/07/2000
... Eduardo Jorge, mas CPI faria FHC refém da situação FHC não rouba, mas deixa roubar, diz Ciro SÍLVIA CORRÊA DA REPORTAGEM LOCAL O ex-ministro Ciro Gomes (PPS) ...

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/brasil/fc2607200010.htm

Denúncia de Ciro Gomes, em Piracicaba, 2000 (gabinete do deputado estadual Roberto Morais) à jornalista Sílvia Corrêa, da Folha de S.Paulo, em coletiva a jornalistas.- Jornal do Brasil, Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo, O Globo, Correio Braziliense, Zero Hora, 26.07.00
Retirado de
http://belo464.digiweb.psi.br/brasilnews/semana/julho/21.htm

Omissão
O presidenciável Ciro Gomes (PPS) classificou Fernando Henrique Cardoso de "omisso" ao comentar as denúncias contra o ex-secretário-geral da Presidência Eduardo Jorge, segundo a Folha de S. Paulo. Para Ciro, FHC "não rouba, mas deixa roubar". O porta-voz da Presidência disse que FHC desconhecia as críticas. O presidente da Incal, Fábio Monteiro de Barros, se disse inocente no desvio de verbas do TRT-SP.
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Rogério Viana
Enviado por Rogério Viana em 03/09/2005
Código do texto: T47234
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Sobre o autor
Rogério Viana
Curitiba - Paraná - Brasil, 68 anos
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Rogério Viana