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Despedida

Espero está longe quando estiverem a ler o que vos escrevo. Espero que entendam o porquê desta carta.

Estou escrevendo num momento em que me encontro angustiado e a me perguntar por que razões ainda vivo, respiro. Sempre penso quais os fatos que um ser humano retira-lhe a vida e hoje começo a entender este sentimento. Não posso afirmar se estas sensações que sinto são as causas, mas são as prováveis condições para um indivíduo subjugar a sua vida.

Busquei o conceito de felicidade e esbarrei em tantos outros conceitos que não me satisfizeram. Percebi que a  minha felicidade deveria ser guiada em função de outros, mas se assim fosse eu não seria feliz e não atingiria o sabor da felicidade.

Meu coração está dividido entre a busca da minha felicidade como penso, imagino ou daquela como os outros querem,assim, penso em desistir. Minhas forças estão se esgotando. A minha fé já não está tão firme, apego-me, mas não tenho resultados.

Nestes últimos dias peguei-me a pensar no que já tinha vivido, saboreado e no que tinha deixado passar em função dos meus medos, dos conceitos de outrem. E nestes últimos dias minha angústia se tornou maior quando descobrir que já não contava como o amor que julgava pleno.

Vivia em um meio em que a felicidade não fazia sentido e que o rancor tornou-se habitante quase finito. Tenho a certeza que busquei levar  o equilíbrio, mas fui sufocado por
um turbilhão de reclamações, cobranças, tomadas de posições. Não nego que tive momentos felizes, mas estes já não eram tão intensos, capazes de me levantar do abismo em que já me encontrava.

Divagando entre os meus pensamentos pude agora entender o porquê de um ser humano privar-se da sua vida. Talvez busquemos o meio mais rápido, visto que temos tantos outros meios de buscar fugir da realidade. Entendi que somos fracos diante do que chamamos "viver sobre pressão".

Sou humano como qualquer outro e sei que tenho o direito de buscar a felicidade da maneira que julgo certa, mesmo que contrarie aquela que traçaram para mim.

Alguns casos de suicídio ficam insólitos ou vagos, mas o meu é que tentei buscar a minha felicidade, mas fui obrigado, pois já não tinha força, a desistir de ser eu mesmo, e vestir uma fantasia que não me é confortável. Posso desistir da minha felicidade, mas não desistirei de falar o que penso e de gritar que o ser humano seja capaz de vivenciar o que deseja, pois a felicidade é algo momentâneo e dura tão pouco, sem que conceitos ou intervenções de qualquer natureza o atrapalhe de ser feliz.

Estou agora sufocado em meio aos meus sentimentos e não consigo explodir, assim saio de cena da maneira mais rápida.

Adeus!
Rogevanio Alves Santana
Enviado por Rogevanio Alves Santana em 01/10/2005
Reeditado em 21/10/2013
Código do texto: T55411
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Sobre o autor
Rogevanio Alves Santana
Aracaju - Sergipe - Brasil, 37 anos
67 textos (3454 leituras)
(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 10/12/16 09:28)
Rogevanio Alves Santana