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CARTA PARA A MINHA QUERIDA NETA

Querida Laura: Sabes? Hoje 31 de Dezembro de 2006 comemorar-se-á a primeira passagem de ano da tua vida que é ainda tão curta mas já tão envolvente, tão querida e tão necessária para todos os que te rodeiam. Tens apenas 6 meses mas a tua vivacidade, a expressão dos teus lindos olhos verdes que ao penetrarem os nossos parecem querer desvendar já todos os mistérios da vida, a tua simpatia e boa disposição, assim como também o teu ar irritado e mal disposto quando tens o rabinho molhado ou a barriguinha a dar horas, diriam que já és aquela princesinha de contos de fadas que todos sabemos ter mais idade. A meia-noite chegou e com ela também o ano 2007. Quero-te dizer que este ano e todos os vindouros serão maravilhosos, cheios de saúde, paz, carinho e muito amor para receberes e também para dar. Queres saber quem me disse tudo isto?... Pois bem, foi um anjo, lindo como tu de olhar belo e meigo, todo de branco vestido, que chegou perto de mim e disse-me: O Nosso Pai quer-te abençoar. Ele leu o teu coração e sabe que amas o Mundo inteiro, sabe que amas todos os teus e também sabe que a Laurinha tem nesse coração um lugar privilegiado, por isso e pela tua fé se tornará uma realidade tudo aquilo que desejas e com muita humildade Lhe pedes e agradeces sempre.
Querida Laura é a tua avó quem te está a escrever. Tens duas avós mas esta é a tua avó Celeste. Todos nós te amamos muito. A tua mãe, essa não  pode descrever tamanho amor, foi dela que tu nasceste, foi dela que recebeste o teu primeiro alimento e é dela e do teu pai que sempre receberás tudo o que fará de ti o lindo ser humano por dentro e por fora com que um dia nos irás surpreender. Mas voltando a falar do teu pai, terás um dia oportunidade, de ver com os teus próprios olhos recordando através das muitas fotos que te tirámos, a delicadeza de gestos e sorrisos que, te eram dirigidos com tanto amor e carinho, que só poderiam vir de um coração a transbordar de alegria. Quando te dava banho, as suas mãos grandes nesse corpinho tão delicado e pequenino, não só lavavam como acarinhavam enquanto tu sorrias e chapinhavas na água contente e feliz. Dir-se-ia que a cumplicidade e a sintonia entre os dois poderia fazer parar o Mundo, tal era a beleza instalada, naquele pequeno mas grande, quadro de amor. Quanto ás tuas avós não sabiam o que fazer, olhavam para ti, falavam contigo mas era dento de seus corações que tudo se passava. Gerava-se a confusão, o grande amor mal contido em nós mesmas faziam disparar nossos corações e perguntavam-se: Será que irei vê-la crescer? Será que tenho tempo para isso? Será que vou poder ensinar-lhe alguma coisa? Será que ela vai gostar? Será que? Será que? Até que eu pensei. Bom, o meu Pai tem um propósito para a minha vida, nela tu estás incluída, por isso eu viverei todo o tempo contigo até que o propósito e a vontade de Deus estejam concluídos.
Agora quero-te falar do avô Palma pois o teu avô Rodrigues infelizmente já não estava entre nós quando nasceste. Eu acho que com o teu avô as coisas não se passaram de maneira muito diferente. Também ele te pegava ao colo como se fosses de cristal e tu sorrias-lhe com um olhar muito intrigado. Muitas vezes te surpreendi rodando um pouco mais a tua cabecinha para conseguires fixar o teu avô.
Voltarei a escrever-te um dia destes, talvez quando completares o teu primeiro aninho. Beijinhos querida.
celeste palma
Enviado por celeste palma em 28/08/2007
Reeditado em 12/09/2007
Código do texto: T627308

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Sobre a autora
celeste palma
Portugal, 66 anos
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