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Meu amigo Panurge

Não pense que fiquei louco durante este 1 ano de ausência em sua vida ou velho o bastante para esquecer seu nome. Nem se surpreenda por eu estar escrevendo por motivo algum.
 Eu tenho, ainda, o prazer de ler textos de escritores amadores. Não mudei minha opinião de que estes são os melhores escritos. Encontrei num destes textos uma frase que dizia o seguinte: "Boa sorte! Sair do quarto pode ter um significado muito maior do que abrir a porta". Não encarei isso como um aforismo bobo, como faria normalmente. Porém, toda e qualquer ação minha ficou dependente desta frase. Neste dia, como em nenhum outro, agi de forma muito impulsiva. Passei a acreditar que tudo o que eu fizesse poderia ser maior em uma posterioridade do que realmente parecia ser. Até então isso não queria dizer nada.
 E assim foi até que, andando pelas ruas do Centro do Rio de Janeiro, parei numa banca dessas que vendem livros usados e me deparei diante de um livro de um autor que até então eu pouco tinha ouvido falar: Alcofribas Nasier (pseudônimo de François Rabelais). Um livro como qualquer outro, de um autor desconhecido para mim como muitos outros. O livro, de 1532 ,me fez pensar, de forma preconceituosa, que por causa de sua data, era algo ultrapassado e extra mente chato. Porém, deixei o meu pessimismo usual, e comprei a obra.
 Lendo, além de ter dado boas risadas, deparei-me com uma infância e adolescência que há pouco vivia. Lembrei-me de coisas que achava estarem perdidas.  Página por página, eu fui relembrando situações que eu deveria lembrar todos os dias, por tão felizes e importantes eram para mim. Durante a maioria das aventuras, o personagem principal, Pantagruel, tem um companheiro inseparável; que dota de nome Panurge. Eles se encontram no meio de uma aventura e fazem de sua amizade a grande força para superarem qualquer obstáculo.
 Daí fica explicado o título desta carta. Você, meu caro Panurge, ainda é minha grande força. Apesar de estarmos em aventuras separadas, ainda fazemos parte do mesmo livro. Fique sabendo que caso eu não soubesse que sempre posso contar com um personagem como você, eu jamais teria coragem para continuar a minha história. Clamo que jamais deixe que seu velho e tolo amigo jogue você no esquecimento junto com as lembranças de minhas melhores épocas.
 De seu amigo, com enorme Carinho.
Vitor Adão
Enviado por Vitor Adão em 03/09/2007
Reeditado em 08/04/2008
Código do texto: T636890

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Sobre o autor
Vitor Adão
São Gonçalo - Rio de Janeiro - Brasil, 31 anos
1 textos (68 leituras)
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Vitor Adão