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A VERDADE DO AMOR: UMA RESPOSTA

"O amor é atemporal. Não obedece a regras; pois tem as suas próprias leis, sempre opostas à lógica absurda da razão." (Milene Arder)


O amor é atemporal. Eu que o diga! Pois ele insiste em não me dar descanso, e percebo que tanto se lhe faz minha idade, ou minha preferência, meu posicionamento político, minha crença ou descrança, ele me aborda, disfarça e me derruba rapidamente, esse invasor devasso. Nem mesmo respeita meus cabelos brancos...

E, garanto, tem mais coisas que o amor é.

Entre todos os seus "defeitos", o amor é essencialmente sem educação, entra na gente sem pedir licença, faz gato e sapato do nosso coração, não vai embora quando a gente manda - o atrevido!, Simplesmente toma conta de tudo, até de nossos mais íntimos pensamentos. Depois, não satisfeito de nos bagunçar por dentro, se esparrama em nosso ambiente, transforma tudo. Quem já não olhou qualquer objeto corriqueiro com novos olhos depois do amor? E o que era brega ficou chique... Quem, numa manhã de sol, não atribuiu sua beleza ao seu amor? Foi ele quem deu o colorido à manhã, o sol é apenas um detalhe... Quem, muma manhã nublada e fria com cara de poucos amigos, não se surpreendeu dizendo como a vida é bela? E que ninguém duvide, basta olhar aquela nuvem com a maravilhosa cor cinzento-escurecida... Quem, ao fazer o amor bem feito, não pensou que morreria ao final? Ah, morrer de amor! Não parece contraditório? E por acaso o amor se digna a dar qualquer explicação lógica aos seus caprichos?

Pois esse intruso desmiolado sabe disso e com isso se diverte. A gente acaba dormindo de cansaço na luta desigual para driblar o amor. Pois ainda aí ele nos perturba, surge em forma de sonho e, quando se cansa da brincadeira, nos acorda para ficar pensando nele... - é o famoso sonhar acordado... E a gente acaba gostando dessa correria que mais parece brincadeira de gato e rato, sempre sorrindo complacente com sua aparente inocência. Inocente o amor? Pois, sim! Como um inocente poderia inspirar na gente tanto desejo sacana, tanta coisa gostosa com sabor de pecado que só se dá pra fazer se ele está presente? E, se a gente sofre, ele ainda tira uma na nossa cara, crescendo, crescendo, chegando a nos dar medo. Se a gente resolve acabar com ele, aí é que vira um tormento, apronta uma revolução com cartas marcadas. Expulsamos o encapetado, ele até sai, dando-se ao luxo de nos deixar sentindo culpa. Aproveitamos a calmaria, botamos sentinelas à porta para impedi-lo de entrar, e quando percebemos ele está de novo dentro, burlando toda e qualquer vigilância. Ataca-nos mais covardemente ainda, mexendo e remexendo em nossas necessidades biológicas, fazendo a gente vacilar até cair em suas armadilhas. Depois sai dizendo que não foi ele, foi o sexo que nos fez capitular. E só encontraremos a paz se entrarmos num acordo com ele, acordo em que ele sempre se sai melhor. E temos que admitir que, além de invencível, o amor é indestrutível.

Pois é, algo tão grande tem que ser atemporal também, já que ele é um "a-tudo" todo-poderoso, onipresente, amolante e insistente, sempre a razão maior de nosso existir. E a gente ainda sai por aí com cara de paisagem, um riso malandro babando da boca, um brilho malicioso no olhar, dizendo pra todo mundo: "O amor é lindo!"

E quem vai negar? Quem tem coragem de atirar a primeira pedra?

Sei que, muita gente, ao ler tudo isso que escrevi, vai dizer: "Mas mulher é mesmo um bicho besta, cai sempre na mesma conversa!!" Quem disse caiu do cavalo, pois isso vale para ambos os sexos. Quem ama, seja homem ou mulher, é besta e gosta de ser besta! E viva essa maravilhosa besteira do amor!!!
Sal
Enviado por Sal em 30/10/2005
Código do texto: T65253
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Sobre a autora
Sal
Marília - São Paulo - Brasil, 78 anos
507 textos (44787 leituras)
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