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Testamento

Caminho na praia no comecinho do dia, o tempo é ameno e a brisa suave do mar quase me faz sentir frio, mas os primeiros raios de sol aquecem delicadamente a minha pele. Vejo claramente os fatos recentes da minha vida, como quem folheia um livro repleto de imagens. Vejo-nos juntos, mas toda a estória fala de lembranças destes momentos e da distância que se impôs entre nós dois.

Não fui eu, nem você, mas ao mesmo tempo fomos nós. Não erramos um com o outro, erramos com a vida, subestimamos o tempo e a distância, erro crasso. O amor, por maior e mais forte que seja, precisa ser cultivado, e um mínimo de convivência real é necessário. Telefone e e.mail não preenchem todas as lacunas da ausência física e a saudade, que pode ser um excelente adubo, se for demais intoxica.

Não sou capaz de dizer se ainda lhe tenho amor, também não posso dizer que o desamor chegou. Acalento as lembranças em um lugar especial da minha memória e do meu coração, no mesmo lugar em que te deixo, como que se deixasse em suspenso o amor, como se lhe deixasse em suspenso. Como tantos planos e projetos que estão pendentes, esperando um futuro que anseio para que seja real.

Os velhinhos caminham no calçadão, jovens correm ou andam de bicicleta. E eu perdida nos meus sentimentos, completamente absorta em meu mudo. Penso em com é estranho não saber se te amo. É estranha também a sensação que sinto, tem um vácuo dentro do meu peito, não estou feliz nem infeliz, e isso me entristece, não ter emoção é ruim, faz com que me sinta meio máquina.

Do que ficou restaram as lembranças, pequenas pílulas de felicidade. Foi tão pouco, mas foi tanto, fui tão feliz como nunca na minha vida. A lembrança deste amor ameniza a angústia de hoje sentir tão pouco, ter sentido tanto e de forma tão intensa faz a vida valer a pena.
Flavia Garcia
Enviado por Flavia Garcia em 20/09/2007
Reeditado em 06/05/2008
Código do texto: T660904

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Sobre a autora
Flavia Garcia
São Paulo - São Paulo - Brasil
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Flavia Garcia