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Amor Inventado

Aqui as coisas estão mais calmas, embora eu ainda esteja muito triste com tudo. Recebi suas mensagens, mas sequer tive ânimo de respondê-las.
Desculpe, estou mesmo atravessando uma fase ruim. Sinto  vontade de dormir o dia todo e  quando chega a madrugada fico vagando pela casa, observando o imenso caos em que me enfiei.
Não consigo deixar de admitir que tenho culpa por tudo o que está acontecendo. Na realidade, eu me acomodei e fui aceitando todos os absurdos que  me impuseram. É aquela velha história  de aceitarmos tudo e nos calarmos, por questão de comodismo, porque na verdade, somos "da PAZ" e brigarmos, ainda que por nossa dignidade, nos faz também muito mal.
 Esquecemos que no momento que nos calamos, estamos admitindo tudo de ruim que as pessoas nos fazem, como se gostássemos ou fossemos merecedores daquilo que estão nos fazendo.
Tem sido assim em minha vida. Sou “da paz” demais pra qualquer mortal e acabo sofrendo as piores violências. Acho que só não tem sido pior, porque volta e meia, faço uma cara de malvada e as pessoas então se assustam muito e, como fiquem bastante preocupadas, sentem medo de que eu esteja ficando louca e dão uma reduzida nas indignidades.
Sou mesmo uma grande boba  e parece até que  me acostumei a levar porrada,  ser tachada de tudo de ruim  que sei que  não sou.
Depois de tudo o que Ele tem feito comigo, ainda acham que eu tenho que ser complacente e procurar ajeitar as coisas.  Ninguém pode imaginar  o quanto ele tem me feito infeliz e o quanto vai ser difícil eu continuar nessa relação doentia.
 Não sei se ele é traumatizado de infância, mas sei que não tenho mais tempo e nem saco de tentar entender uma pessoa que só vê o seu próprio lado, seus interesses, suas vontades.
Deve ser, como eu disse à mãe dele, um problema genético, já que o pai dele foi  um grande canalha. (ou é, não sei se está vivo).
Só sei que preciso coragem para enfrentar a tudo e a todos para sair dessa relação, do mesmo modo que também precisei quando nesse  relacionamento entrei, desacatando a tudo e a todos, esquecendo quem eu era, pra viver um Grande Amor...Grande Surrealidade! Um Amor Inventado... Obra de minha imaginação. De uma mulher que só queria encontrar o seu Príncipe Encantado. Delírio de criança...
Acho que sei tudo o que tenho que fazer agora e não vou nem precisar de analista. Espero me manter lúcida pra levar minha vida adiante  e  quero que Ele fique bem distante de mim, pois aquele amor inventado em minha mente, neste exato momento é pura mágoa, que pode se transformar em ódio, sentimento que não suporto sentir por nenhum semelhante.

Clara Nogueira
Enviado por Clara Nogueira em 01/11/2005
Reeditado em 11/07/2008
Código do texto: T66253

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Sobre a autora
Clara Nogueira
Guapimirim - Rio de Janeiro - Brasil
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Clara Nogueira