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AO TELEFONE...
 
Um toque e já premeditei o que falar. E ao segundo toque, o gélido momento e um breve pensamento que me incitavam a tudo abandonar.
Mas não, não era um bom momento para desistir de tudo, afinal, tentava e tentava, olhar aquele rosto algumas vezes, jurando ao próprio céu um dia podê-lo tocar. Eram os meus devaneios ao seu lado. Poder sentir a sua pele tão aconchegante e roubar-lhe um beijo, talvez.
E um terceiro toque foi direto ao peito como um afiado punhal. Desistir agora? Somente um louco o faria, pois não estou aqui a suplicar momento algum e sim, atendendo a um chamado; um chamado de socorro, de suplício, deixado em meu celular, na noite que passou, por aquele terno coração.
Mas um quarto toque tirou-me um breve momento da razão, e tão emocionado fiquei, que um calafrio percorreu-me o corpo, e se não fosse aquela voz, do outro lado, aquela voz macia e sensual, juro que desligaria o aparelho sem nunca mais tentar.
_Alô, quem está falando?
Quase não consegui responder. Respirei profundamente e antes mesmo que ela desistisse, disse meu nome.
Desesperada, chorou!
_Sabia que podia contar com meu grande amigo.
Agora, a punhalada havia sido mais dolorida, mas não titubiei.
_Sim, disse um dia que podia contar comigo, mas confesso que estranhei o fato de ter levado tão a sério. Confesso também que gostei de saber que poderia ser útil.
Na verdade não era nada daquilo que eu gostaria de ter falado. Queria mesmo era ter aproveitado e me declarado para aquela linda e visivelmente, sofrida mulher. 
E continuei...
_Fale, conte-me o que está havendo.
_Ao telefone não, preciso lhe falar pessoalmente, pois algo acontece comigo e não sei como lidar com essa situação. Não quero tomar o seu tempo.
_Não, acredite, não está tomando o meu tempo. Quer me ver hoje mesmo?
_Hoje mesmo, daqui a mais ou menos duas horas, naquele lugar que sempre nos encontramos com os amigos.
_Estarei lá.
Ouvi um último suspiro, que não pude identificar se era de satisfação ou somente de tristeza.
O que me diria, aquela mulher? Alguma desavença em seu serviço? Não! Afinal, para que um marido em casa se não poderia ali mesmo desabafar? Uma briga de família, ou do próprio casal? Ah, e se fosse isso, uma briga do próprio casal, o que meu apaixonado coração poderia dizer que não insinuasse proveito da situação?
Ao desligar o telefone, senti-me o mais poderoso dos homens e tratei de ficar especial. Queria a qualquer custo ser notado. Tudo ali valeria à pena.
Mas o que não me deixava em paz era a sensação de uma incutida paixão; paixão que fazia o meu sangue fervilhar. Controlar-me?

Saberia apenas, quando chegasse a hora...
 
O Guardião
Enviado por O Guardião em 11/10/2007
Reeditado em 27/11/2008
Código do texto: T690146
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Sobre o autor
O Guardião
São Paulo - São Paulo - Brasil, 52 anos
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