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O PRIMEIRO BEIJO...
 
O clima entre nós parecia ter tomado dimensões da mais alta sensação térmica. Minhas mãos suavam um suor duradouro e sensual; podia sentir. As dela, apenas absorviam aquele líquido que vertia das minhas mãos. Ah, o que pensar em uma hora dessas. Tantas são as imagens de corpos se unindo, e algo mais.
A cada olhar que ele direcionava a mim, mais ainda o meu coração respondia palpitando e palpitando a ponto de ela própria notar alguma diferença em meu estado físico e emocional.
Mas, o que tinha ela de tão importante para me dizer? Será que havia se apaixonado por alguém? Alguém, que não fosse eu!
Senti-me o mais revoltado dos homens pois se isso fosse a verdade então não havia céu, nem esperança, e nem mesmo justiça, pois quem, nessa terra maldita haveria de ser merecer o amor daquela mulher que não fosse eu. Tantos pensamentos, em tão minúsculo tempo, que nem mesmo percebi a sua primeira lágrima.
Olhou atentamente a minha face e com uma de suas mãos, a tocou.
_Sabe, o que tenho aqui dentro de mim é algo que preciso expurgar, mas não quero me desfazer do que sinto, só não posso conviver com isso da forma que convivo agora.
E continuou...
_Tenho me sentido uma tanto intranqüila e o motivo não é simples de se entender. Estou sensivelmente entregue a um sentimento que não consigo definir, se já posso chamá-lo de amor, ou paixão, dessas tão fortes que mal posso manter a minha serenidade.
Naquele instante pensei em perguntar-lhe, por quem, mas me contive. Ah, meu não tão jovem coração.
Procurei ouvi-la mais.
_Estou assim e preciso de você; preciso que me ajude a entender tudo isso.
_Eu, mas porque eu?
_Porque é justamente de você que eu estou falando.
Naquele instante; duradouro instante, permaneci estático, e não mais concatenava as idéias.
Foi aí que ela se aproximou mais ainda e cheirou a minha face, depois, recostou-se em meu ombro e disse mansamente que precisava da minha ajuda.
_Me ajude, por favor, não me deixe, mas também não se aproveite de tal situação.
Virei para ela, e disse firmemente.
_Te quero também, e não é de hoje, mas tenho vergonha pois não partiu de mim uma iniciativa.
_Talvez porque aqui dentro do meu peito a sensação seja mais forte.
_Não quero acreditar nisso que ouvi, mas quero te agradecer por tirar tamanho peso de minha consciência.
As faces, os olhos, e principalmente as nossas bocas estavam tão próximas que ambos não resistiram a tentação do primeiro beijo.
Mordi levemente os seus tenros lábios e pude viajar em mil sonhos de amor.
Ouvi baixinho.
_Gosto do teu jeito de melhor, do teu cheiro e forma pela qual me encanta com as palavras mais bonitas que um homem pode dizer a uma mulher.
_Palavras! Mas sempre fui tão cuidadoso e receoso de te dizer algo.
_Mas você escreve, e sei que as palavras possuem uma dona; sei que sou eu.
Tudo ali seria completo senão fosse o cair da noite à dentro.
Nada mais a dizer naquele instante, porém, um pacto de não mais recuar, mesmo que pensamentos escusos e inconstantes nos atormentassem durante aquela madrugada. Ali nos despediríamos certos de mais um encontro no dia seguinte.
Para algo mais...
O Guardião
Enviado por O Guardião em 18/10/2007
Código do texto: T699882
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O Guardião
São Paulo - São Paulo - Brasil, 51 anos
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