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Diário de um suicida

Mais um dia que sem a menor empolgação abro os olhos e vejo a luz. Sem entusiasmo de levantar e olhar para o mundo, fico horas deitado na cama esperando algo acontecer quem sabe dou a sorte de um meteoro cair em cima de minha casa e explodir tudo. Mais infelizmente não foi hoje que aconteceu.
Então tenho que continuar, rastejando consigo chegar até o banheiro e logo encontro um velho conhecido de frente a mim no espelho, ele tem me ajudado muito ultimamente, me ajudando a ver que não passo de uma carcaça de um velho homem cheio de rugas e olheiras.
Tomarei um banho, quem sabe eu consiga me sufocar com a toalha ou me afogar no chuveiro, foi mais uma tentativa inútil. Nem me arrisco mais com as giletes, elas doem bastante e a morte é muito demorada assim alguém pode acabar me achando e me “salvando”, seria dor em vão.
- Por que então não pulo de um prédio?
Talvez com a minha queda eu acerte alguém que diferente de mim tem uma vida perfeita. Não quero ser motivo de problemas para os outros mortais, já estou satisfeito de ser o meu próprio problema.
Mais incrivelmente como todos os dias estou aqui sozinho pensando em mil motivos e desculpas para não ir trabalhar, não ter que olhar para os lindos olhos azuis de Julia que passa por mim todos os dias e nem ao menos sabe meu nome. Pensando numa boa desculpa para não entrar no carro e depois de dois quarteirões ficar parado em um transito infernal do qual a hora não passa. Procurando outra desculpa boa para nem abrir a porta de casa e dar de cara com o Felipe, o visinho pentelho que vive pisoteando minha grama, que é a única coisa que tenho cuidado ultimamente, cuidando para que ela continue sempre verde e viva. Pelo menos minha grama sabe que eu existo.
Depois de muito pelejar pelo caminho, finalmente cheguei no trabalho escravo, fiz minhas obrigações diárias sem nem ser notado e voltei para casa em mais um dia de completo abandono, esquecimento e solidão. O meu dia de hoje foi tão insignificante que talvez eu tente me matar amanhã, porque hoje só quero fechar os olhos e esquecer que existiu mais esse dia em minha memória.

Denise Ponciano
Enviado por Denise Ponciano em 16/11/2007
Reeditado em 16/11/2007
Código do texto: T739298

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Sobre a autora
Denise Ponciano
Serra - Espírito Santo - Brasil, 30 anos
84 textos (10812 leituras)
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Denise Ponciano