Eu e meu punhal

Veja como são as coisas, punhal querido.Tu e eu somos tão frios.Tu cortante no seu mal infindável, eu maligna na minha cortante solidão.Não sei mais como proseguir.A caminhada parece tão obscura e sem sentido.Qual o motivo de viver?Porque continuar em um mundo tão insano?Será que a paz de um inviolável tumulo não e melhor?Talvez não os mortos se contorcem em suas tumbas gélidas e esquecidas ao ver a que ponto chega a crueldade humana.Não negue fogo, punhal querido.Tu e eu sabemos muito bem qual será o teu fim e por consequência o meu.Agora, conforme as trevas envolvem ainda mais meu ser;agora, conforme a noite se aproxima;agora que criei coragem,não me decepciones, meu fiel amigo.Se antes eram cortes superfulos, estupidos e inocentes, finalmente será a ferida tão sonhada e planejada,aquela profunda e hemorragica.Entretanto,profundo é meu sofrimento.sofrer então que não tem fim é como chagas, à dominar um coração aflito, se apodera de mim dia após dia.cansei dessa vida, cansei de tudo.Não sou forte o suficiente para erfuer a cabeça e continuar como se não tivesse apanhado.E chove lá fora, meu querido.E que chova mais para assim as àguas lavarem o sangue que escorre da minha face.Que chova tanto quanto eu choro, choro lágrimas tão salgadas e amargas e por dentro choro sangue vermelho e adocicado.Porque eu o afastei de mim?Porque eu deixei ele partir?Ôh, punhal sagrado, chega de me lamentar e vamos logo a encenação do nosso teatro de vampiros.eu serei a sua bainha.Vamos, cravai sua lâmina de salvação em meu peito.Liberte-me desse mundo, liberte-me desse sofrimento e principalmente, liberte-me de mim!Cravai fundo e criai ferrugem e fazêi-me morrer.Ah!Como é doce a liberdade!

Paloma Maggiotto
Enviado por Paloma Maggiotto em 06/12/2007
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