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Pão e circo

Talvez meus devaneios já estivessem contigo, desde que o cavalo de ferro te conduziste além das possibilidades de poder oferecer-te um beijo, cada vez que fosses encontrar a ti mesmo onde os sonhos são reais... Talvez estivesses presa no alto de uma torre onde não pudesse salvá-la, e via de longe apenas os luxuriosos contornos de tua generosa silhueta, sem poder, ao menos, nadar de largas braçadas no lago profundo e cristalino de teus felinos olhos, tão lindos e charmosos como o luar.
Agora, meu cavalo não já é alado, minha armadura já não é de aço – minha espada perdera o fio...  E nem ao menos o dragão com dentes de sabre e boca incandescente duela mais comigo até a morte.

Talvez a mesquinhez e o egoísmo de nossos não tão vis e virgens pensamentos, que nos remetem aos dos nossos mais anciãos e remotos ancestrais, tenha sido o protagonista de uma dramática e bucólica peça teatral, escrita pelo sábio e absoluto eremita das noites cheias de gente, para proporcionar ao seu respeitável público apenas "panis et circensis". Voilá!!! Showtime!!!

Meus vis e virgens pensamentos!

Talvez eu já os tenha aqui de volta...

Mas talvez eu seja apenas um palhaço triste...

Talvez eu seja apenas um palhaço triste, mas feliz...

Talvez eu seja apenas um palhaço triste, mas feliz por ter-te.

E talvez agora eu nem seja mais um palhaço triste... Talvez... Mesmo assim, ainda sou um palhaço.

Talvez a escuridão da noite esconda as imperfeições de nossa alma, que anseia por mais uma banal e vazia chuva de confetes, num salão em que o pierrot já se livrou da máscara e, amarga, agora, às delícias de etílica, doce e nevrálgica ressaca de uma noite vivida por dez.

Talvez, a noite não exista.

Talvez o dia também não mais exista.

Talvez, à noite, se veja mais do que de dia.

Talvez, de dia, se veja menos a mentira que perde o véu na noite escura.

Talvez, à noite, eu queira abraçar-te. E quero.

Talvez eu queira beijar-te. E não tenho medo.

Talvez queira te amar. E posso?

De noite.

De dia.

Queria sentir re-natos momentos extasiantes ao imergir-me em mim mesmo, e você em ti mesma, aguardando a aurora de mais uma volta, que esse mundo cinza azul faz em torno do Deus da plena luz. Mas, azul, azul mesmo, tudo pode ficar. Depende somente do que sentes. E então, aceitas mais uma jornada? Esqueçamos o cinza.
Piani Lobo
Enviado por Piani Lobo em 09/12/2005
Reeditado em 13/08/2006
Código do texto: T82780
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Sobre o autor
Piani Lobo
São Paulo - São Paulo - Brasil, 39 anos
6 textos (674 leituras)
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Piani Lobo