“Asfalto Violento”

Eu ainda era menino, mas a paixão por carros velozes estava em eminhas veia, la perto de casa tinha um garoto, Diego, ambos tínhamos dezessete anos e um sonho incomum; carros velozes! O nosso visinho tinha um Mavecão (Maveric), ano 1976 Preto, o carro esta largado no quintal da casa e o mato já começava a cobrir o carro, a gente costumava levar umas garotas la só para dizer que o carrão ia ser nosso e quando a gente passasse maior idade, iríamos tirar carta, comprar o Mavecão, dar um trato nele e sair pelas estradas levando as gatas, o tempo foi passando, nos juntávamos um pouco de dinheiro, ia la falar com senhor Juarez e o negocio não dava certo, a inflação era muito alta e quando a gente ia falar com o cara o preço já era outro, assim o tempo passou, completamos dezoito anos, e o sonho ficava cada vez mais forte, embora algumas frustrações mas não desistíamos do sonho de esmerilar aquela maquina do mau, eu comecei a me distrair com motos e desisti do plano, mas o Diego estava obsessivo, não queria nem pensar em desistir do sonho, ele tirou a carta de motorista, o pai dele ajudou a comprar o carro, eu me lembro que ele foi em minha casa dando pulos de alegria, eu já não queria mais o carro, mas fui com ele nas oficinas para por o Maveric para rodar, eu tinha a maior vontade de ouvir aquele motor roncar, o Diego e eu já estávamos com dezenove anos, as garotas que a gente saia já não estavam mais la pra ver a gente roncar o carrão, nos levamos quase seis meses para deixar ele pronto, trocamos os bancos, retificamos o motor V8, suspensão, Pintura, filmamos os vidros, mexemos no cambio, o carro parecia que tinha saído de um filme de ficção cientifica, num dia de sábado a tarde pegamos o carro e fomos ver o que ele fazia; Eu confesso que fiquei com medo, ele corria muito, o ronco parecia um trovão em plena tempestade, ele chegou a 120Km rapidamente, em um determinado momento ouvimos no radio que uma ponte nova havia sido inaugurada, a ponte passava sobre a Rodovia Dutra e ligava São Paulo Guarulhos, o Diego ficou entusiasmado a ir la para estrear o asfalto e ver qual o limite do Maveco, ao ver que o moleque não tinha medo da velocidade, eu amarelei, naquela época não era obrigado usar o cinto de segurança, então eu quase arranquei PQPARiu do meu lado, eu era maluco por velocidade, mas fiquei com medo, o Diego era mais louco que eu, foi quando ele me levou ate aonde a minha moto tinha ficado, eu tinha certeza que ele estava pensando em dar o Maximo no carro e a pista era a do viaduto novo, o local era perfeito para esmerilar um carro daquele tipo, fui para a minha casa, e mais tarde, já fazia umas quatro horas que eu deixava ele na beira da pista, o pai dele chegou em frente a nossa casa, o Homem esta desesperado, e me dizia vamos para o Hospital depressa aconteceu um acidente horrível com o meu filho, me disseram que você esta com ele, eu pensei que você também tinha morrido, eu senti um gosto amargo na boca, o meu estomago embrulhou e passei mal, O pai do Diego disse que testemunhas no local disse que ele descia a estrada a mais de 150Km Por hora, entrou na curva sem reduzir, o carro rodou varias vezes a 360 graus, bateu com a traseira em um poste na entrada do viaduto, o poste quebrou ao meio e caiu em cima do Maveric, esmagou o carro feito uma barata, para tirar ele la de dentro, os policias do corpo de Bombeiro recortaram o carro todo, ele morreu na hora, o sonho de aventura acabava ali, quase trinta anos depois, eu estava na Anhanguera com a Minha Palio Weekend, eu voava baixo apenas com os faróis de neblina acesos, quando ao meu lado ouvi uma voz que dizia, reduza a velocidade, eu olhei no GPS e vi que havia uma curva acentuada a direita, se aquela voz não me alertasse, eu teria morrido, pois jamais conseguiria fazer uma curva a 150 km por Hora, eu parei o carro em um posto de serviços logo a frente, e me lembrei que a voz que eu ouvia era igual a do meu amigo, ele se foi mas a minha hora ainda não havia chegado, descansa em paz Diego, que o sonho ainda não acabou.

Joel Costadelli
Enviado por Joel Costadelli em 07/06/2011
Código do texto: T3020045