O Amor Inseparável

Um casal muito humilde e que se amava muito, tinha o sonho de

ser enterrados no mesmo lugar quando morressem,

mas nem um nem outro tinha dinheiro suficiente para comprar um jazigo!

Ele era marceneiro, ela, dona de casa, tinham apenas um filho.

Sempre batalharam para sustentar esse filho e sempre guardavam

o pouco que sobrava para realizarem o sonho de ambos!

Passaram-se cinco anos, o esposo ficou muito doente,

ela então precisou gastar todas as economias que tinham

guardado para realizarem o tão sonhado leito de morte.

A saúde dele foi se agravando, o que o levou ao falecimento.

Ela então, como não tinha conseguido comprar o jazigo,

foi obrigada a enterrá-lo num cemitério público,

levando junto o sonho dos dois!

Ela seguiu a vida, vivendo com o dinheiro que ele deixou de pensão...

Os anos foram passando, mãe e filho continuavam naquela vida

de ardúa luta, mas ela não se conformava por ter enterrado

seu esposo num lugar onde ela não poderia ser enterrada quando partisse e isso abalou muito o estado de

espírito dela levando-a ficar muito doente!

O filho por sua vez, cuidou da mãe com muito carinho e amor.

Certo dia, depois de ter feito quatro anos da morte do pai,

chegou uma carta do cemitério onde o pai fora enterrado...

Na carta dizia que alguém da família teria que comparecer

para fazer exumação do corpo!

O filho comunicou sua mãe e os dois resolveram não ir,

pois não teriam dinheiro para comprar uma urna,

onde pudessem depositar os restos mortais de seu ente querido!

Como em cemitérios públicos é permitido por lei, desenterrarem

os mortos e jogarem num fosso junto com outros falecidos,

se parentes próximos não fossem "reclamar", os restos de seus

entes queridos, foi o que fizeram...

Passando exatos sete dias, ela muito ruim da saúde, veio a falecer.

O filho muito triste, resolveu enterrar a mãe no mesmo cemitério que

o pai fora enterrado e assim o fez!

Como ele ficou sozinho, resolveu então vender a casa e partir

para tentar a vida longe de todas essas tristezas...

Assim, vendeu a casa e partiu levando apenas as boas lembranças!

Depois de quatro anos, que é o limite que uma pessoa fica

enterrada, a direção do cemitério envia um comunicado para

o endereço da velha casa onde viviam, a carta pedia o

comparecimento de um parente mais próximo para

fazer a exumação do corpo da senhora!

Como o filho não vivia mais ali e os vizinhos não tinham

como achá-lo, ninguém compareceu ao cemitério!

Então, a direção do cemitério fez o mesmo procedimento que fizeram

com o marido: a desenterraram e jogaram seus restos no

mesmo fosso onde fora jogado o do seu amado esposo!

FIM

Pois é caros leitores, um sonho nunca morre junto com

quem morreu há anos!

Pergentino Júnior
Enviado por Pergentino Júnior em 26/06/2011
Reeditado em 03/08/2018
Código do texto: T3058954
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