(:^~) Beatrice & Johan 24 (~^:)

Beatrice, inconformada, exclama:

- Ingrato, sem compreensão, eu te amo seu idiota! Como pode não aceitar isso e pronto, reiniciarmos o que nos é de direito! Deixar-me só comigo mesma e minhas sandálias douradas, confinada dentro da caverna de cristal, rodeada por dragões não amistosos? Quantas vezes, Johan, te salvei do afogamento, das fogueiras, das intempéries, quantas malditas vezes, diga-me quantas?

Agora que tenho urgência, atitudes preciosas e imediatas devem ser tomadas e você me solta à mercê da sorte, lança-me à jaula de leões ferozes, covarde! Sem gratidão é o que é! Tem algum ser no interior de seu ser?

Na pedra da vitória pousa o azul pássaro, onde paramos um dia, há centenas de luas, se lembra! Não concebo a indiferença servida por ti em prato raso, Johan, não aceito, n-ã-o a-c-e-i-t-o! Quem te fará completo a não ser eu, quem me completará? Fale alguma coisa, meu fígado está ardendo em altas chamas com tua indiferença! É o nosso destino, não entende? O restante de nossas vidas aqui na Terra, não faça assim!

Johan calmamente tece o balaio dos sonhos, o portal se abriu, voltou à antiquíssima aldeia de Aldebarã, ouviu pacientemente cada vogal contida no cerne da explosão sincera de Beatrice! Johan reconhece esse Amor envolto em alquimia, no entanto, ativa as lembranças da mística:

- Beatrice, rememora nosso primeiro pacto, quando ainda estávamos em Aldebarã? Pare agora, aplaque as saliências de teu coração, faça a contagem regressiva, volva à fonte cristalina, beba da água da vida, observe o céu soberano dos vales! Lá, no seio da eternidade, o canto da saudade nos devora e alimenta à mesma hora! Deixe-me refrescar-te a mente, Beatrice, "O pacto consistia em encarnarmos e até que nos descobríssemos nos labirintos da humanidade, com as codificadas palavras-chave, somente por nós conhecidas, na sequências das palavras de passe, deveríamos viver socialmente como estrelas de família!" Esse era o acordo, você sabe bem, porém, fosse preciso estabelecer companhias, não nos enlaçaríamos a ninguém (alianças d'ouro), mesmo sob o mesmo teto, convívios com data marcada para serem desligados.

Lembra Beatrice, nenhuma evolução haveria nos temporários elos feitos, pois já eram predestinados ao fim [pelo pacto além- norte previamente acordado] nos reencontraríamos, mesmo que estivéssemos numa numerosa multidão, o reconhecimento seria transparente e instantâneo.

Lembra-se de Aldebarã, nossa aldeia,eu sentado na rocha e você a ouvir o cântico das estrelas?

cjmorais
Enviado por cjmorais em 09/08/2016
Reeditado em 09/08/2016
Código do texto: T5723297
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