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Um conto de natal bovino

        Dezembro já estava em alto fervor do verão, mas naquela tarde chovia e soprava um vento frio que arrastava a chuva para dentro de casa. Corriam todos a fechar as portas e janelas pois a chuva chegara de forma tão repentina. Junto com os estrondos dos trovões o fechar delas ressoava chuva a dentro. "Que chuva!" diziam os habitantes da casa ainda surpresos pela velocidade com que a trovoada se acentuava.
         Sentaram-se todos perto da televisão e assistindo aos especiais natalinos pareciam esquecer a chuva, entretanto eram continuamente relembrados da mesma por causa dos estrondos que a luz produzia ao rasgar o céu. A criança que já pendia a cabeça tantas vezes e custava sempre a reerguê-la bocejando de tédio disse: "Vou dormir.". Assentiu, então, os pais e junto com a criança seguiram a mesma idéia os três irmãos.
          Passaram mais três horas depois das crianças se retirarem e os pais sentiram a mesma fatiga que as levaram a dormir. "Vamo amor?" perguntou a mulher ao marido querendo ir para cama e esse último consentiu. Banho tomado os dois preparavam-se para dormir quando três fortes batidas vieram da porta que dava para rua. O esposo se aproximou e perguntou: "Quem é?". Uma voz rouca e velha, abafada pela chuva que quase não se ouvia. "Quem é?" Insistiu o pai. "Papai Noel" respondeu a voz agora mais forte que quase gritava. O marido riu, achou que era brincadeira, mas pensando bem: "Quem brincaria assim numa chuva dessas?".
         "O que é que você quer?" a mãe perguntou. "Presentear os quatro bons meninos que a senhora criou." respondeu a grito a pessoa do outro lado da porta para ser ouvida. "E por que o senhor não entra pela chaminé?" brincou o pai enquanto mandava sua esposa ligar para polícia. "O senhor não tem chaminé." calmamente gritou do outro lado e acrescentou: "Abra a porta que já está me atrasando, há mais crianças para receber presentes". "Deixe-os ai na porta pois eu não vou abrir não." furioso com a voz o pai se inconformou. "Ta bom, mas eles vão estragar na chuva." riu o desconhecido.
          No outro dia, tendo a chuva passado, as crianças saíram animadas para rua. Quando abriram a porta, lá estavam um MP3 player, um boneco e duas camisas do Ronaldinho no tapete de boas vindas da casa. Os presentes estavam molhados e os pais boquiabertos. Sabiam que só podia ser um louco que achava que era Papai Noel, mas como tal louco sabiam quais presentes os filhos queriam se suas cartas ficaram com os pais?
BOI (Luciano Alencar)
Enviado por BOI (Luciano Alencar) em 25/12/2005
Reeditado em 01/04/2006
Código do texto: T90457
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
BOI (Luciano Alencar)
Brasília - Distrito Federal - Brasil, 29 anos
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BOI (Luciano Alencar)