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Ele nem sabe que eu existo

     Fiquei na minha janela, ansiosa, apaixonada. Eu sabia as horas, os minutos e os segundos em que ele iria chegar. O som do motor do carro, da buzina, a luz do farol. Nenhum detalhe me passava em branco. Quando ele chegou nos segundos exatos marcados, alvoroçei-me, ansiosa, apaixonada. Ergui minha mão num ensaiado abano, quando ele estacionou na calçada em frente. Eu havia preparado a minha melhor voz, no tom mais sedutor que uma mulher poderia usar. De nada adiantou. Fiquei com o braço esticado, minha voz de gata presa na garganta. Ele saiu do carro, a mulher o esperava na porta, beijaram-se apaixonados. Eu, por minha vez, saí da janela, cerrei minhas vidraças com força e desisti de tudo naquela noite. Porém, no entardecer seguinte eu estaria no mesmo lugar novamente, com a minha voz de Angelina Jolie e com meu belo aceno calculado. Chegará o dia em que ele virá junto com os últimos raios de sol, respondendo ao meu abano e ao meu chamado. Sonho com seus beijos, fantasio seus abraços.
Patrícia da Fonseca
Enviado por Patrícia da Fonseca em 17/02/2006
Código do texto: T113233
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Sobre a autora
Patrícia da Fonseca
Porto Alegre - Rio Grande do Sul - Brasil, 46 anos
572 textos (37855 leituras)
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Patrícia da Fonseca