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"O TELEFONEMA"

Já alta madrugada, e fazia muito calor; Farto de olhar para o horizonte, da janela do meu quarto, e nada além de uma constelação, que preguiçosamente piscava, vez ou outra a luz de um barco que transitava na orla, e eu ali com insônia; E dividindo a solidão comigo mesmo.
Do meu lado o violão, mas eu não tinha vontade de tocar, talvez eu não quisesse perturbar o sono alheio, que não tinha nada a ver com a minha falta de vontade de dormir; Caminho descalço pelo quarto...e volto para aquela mesma janela, para olhar para o mesmo horizonte, ver as mesmas coisas que vi antes.
Quando toca o telefone...era engano, mas era a voz de uma mulher, que passava-me, uma tristeza na voz, ou procurava algo...naquela noite vazia.
Vazia para mim...ou para ela talvez, mas começamos a falar, e começamos a chorar as mágoas um para o outro, e a cumplicidade foi aumentando, na medida em que revelávamos as nossas mágoas, os nossos sonhos...as nossas desilusões; Os minutos foram passando, e as horas também, e a intimidade foi crescendo, até chegou a um ponto...que parecia que nos conhecíamos havia décadas, trocamos nuúeros de telefone, nome, gestos e costumes; Até aparecer a surpresa maior...a surpresa que tivemos, foi na hora de passarmos endereços...um pro outro; ela morava no andar de baixo, cujas janelas dela ficavam debaixo das minhas; E o seu endereço era o meu, pois ela morava no mesmo prédio que eu, a diferença era o andar.
A vida às vezes nos prega umas peças, sorte quando a surpresa é boa; Que é o que nem sempre acontece.
Já era quase manhã de um domingo, eu visto uma roupa e desço a escada, e a encontrei na porta do seu apartamento...esperava por mim.
O meu coração bateu forte quando a vi, e senti que era recíproco; Pegamos o elevador e saimos para a rua; Mas por ironia do destino começa a chover.
Retornamos ao prédio, e no apartamento dela esperamos amanhecer.
Foram dias de ternuras, foram noites de completo esquecimento, foram noites de prazer.
Agora estamos aqui, de cabelos esbranquiçados, com sonhos realizados, e olhando para aquele horizonte, para aquela constelação piscante...esperando o que há de vir...e o que poderá acontecer.
Antonio Hugo
Enviado por Antonio Hugo em 22/02/2006
Código do texto: T114815
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Antonio Hugo
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 59 anos
3870 textos (257216 leituras)
185 áudios (36330 audições)
9 e-livros (7402 leituras)
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