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Adolescente simplesmente

Acordei com o sol em uma rua erma. Estava descalça e com frio. Andei mais de cinco quilômetros para chegar até a minha casa. Logo de longe vi a janela aberta, a porta escancarada e muita gente falando alto. O choro de minha mãe ecoava no bairro. Que vergonha! Mais por que será que sempre que saio à noite tem que ser assim?

Aproximei-me devagar e driblei alguns curiosos, mas no exato momento em que pularia a janela do quarto um maldito gritou: “É ela, Aninha chegou!”. E antes que eu pudesse completar a respiração minha mãe surgiu na minha frente, abraçando-me e dizendo: “graças a Deus, você está bem”. Depois desse súbito momento amoroso, ela pegou o cinto e me deu a tradicional surra, que de tão costumeira me ficou familiar. Após o espetáculo, todos foram embora e eu fui dormir chorando.

Eu gostaria de saber por que os pais acham que podem bater nos filhos? Eu já tive vontade de bater nos meus pais, mas me contenho porque acho que eles são mais adolescentes que eu, pois eu pelo menos não acordo o mundo quando eles saem e demoram. Eu nunca escolho suas roupas e nem controlo seus gastos. Eu sou normal, eles são apenas pais e eu sou simplesmente adolescente.





SHIRLEY CASTILHO
Enviado por SHIRLEY CASTILHO em 25/03/2006
Reeditado em 13/09/2008
Código do texto: T128557
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Sobre a autora
SHIRLEY CASTILHO
Belém - Pará - Brasil
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SHIRLEY CASTILHO