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A NOVIÇA E O BEIJA-FLOR

 Sentada sobre o gramado do enorme jardim do convento, a noviça Brunilda ouvia uma rádio onde o Padre Marcelo estava sendo entrevistado. Ela gostava da forma que este padre conduzia seu ministério.

“Algum dia serei um freira famosa também. Minha cidade catarinense ainda vai ter muito orgulho de eu ser uma freira barriga-verde. A  Irmã Paulina não virou santa?
Não morou em Nova Trento? Por que eu também não posso chegar lá? Imagine eu, louca do jeito que sou, torcedora fanática do Paraná Club; fã de carteirinha do Reginaldo Rossi; torcedora do Rubinho Barrichello, e de repente sendo canonizada...Santa Brunilda?... Que blasfêmia, nossa! Acho que vou ter que me confessar com o Padre Carlitos hoje. Estes pensamentos devem ser pecado... Imagine, eu santa?  Qual será minha penitência?... dois rosários?... E se for mais?...O pior é que ele manda-me cumprir a penitência sempre na hora de ir dormir. Se for muita coisa eu não vou agüentar. Vou dormir com o rosário na mão, com certeza!”

Um lindo beija-flor que veio se alimentar do néctar de uma flor, faz ela despertar de suas elucubrações.

Absorta observa o beija-flor. O quase inaudível bater de asas da pequena ave parado no ar, em pleno vôo, lhe impulsionou a uma reflexão.

“O convento está me fornecendo o alimento espiritual. Posso sugar desse néctar da fé e repassar ao mundo o belo de minhas cores missionárias, com vôos baixos e silenciosos... Santa Brunilda, eu? Argh!”


26/3/2006 19:49:20

Luiz Celso de Matos
Enviado por Luiz Celso de Matos em 26/03/2006
Reeditado em 27/03/2006
Código do texto: T128974
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Sobre o autor
Luiz Celso de Matos
Curitiba - Paraná - Brasil, 75 anos
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Luiz Celso de Matos