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Molde



O lençol carmesim que dividia a sala da cama dos pais, e que pra toda a vida ficaria marcada a distância entre ele e esse outro mundo, era tão tênue que, vez ou outra, acompanhado por uma orquestra de suspiros e pequenos sussurros, o garoto entrevia como a uma serpente, pernas, braços, costas e movimentos  dos amantes que sua mãe recebia vez ou outra.  No banheiro, único cômodo com porta e trinco, o garoto sozinho tentava fazer parar as imagens recorrentes dos descuidos da mãe.  O fluxo incessante pulsava-lhe, incômodo.  Sensação boa e ruim.
Um dia cresceu; e o que sentiu, desde então, sempre pareceu perpassado por um lençol carmesim; como se a vida não pudesse ser olhada sem anteparos; como se sempre fosse encontrar com medo e desejo a víbora viscosa de suores pingados, de cheiro ocre atrás dos lençóis.   Lençol de carne e suor.  Aterrorizante prazer.

Luciane Goldstein
Enviado por Luciane Goldstein em 27/04/2006
Reeditado em 07/11/2007
Código do texto: T146345

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Sobre a autora
Luciane Goldstein
Rio de Janeiro - Rio de Janeiro - Brasil, 43 anos
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Luciane Goldstein