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TEMPESTADE

   É um dia comum,como todos os outros:calor intenso,pessoas sossegadamente caminhando pela rua,sexta feira.E como sempre,Miguel correndo atrás de Sandriane,para alcança-la.
   Ambos estudam na mesma classe,cursam a oitava série.Miguel entrou na escola no meio do ano,ganhando a antipatia de Sandriane,que o odiava por diversos motivos,inclusive por que o rapaz conseguia ser melhor que ela nas notas de inglês e matemática.
   Desde que se conheceram,Sandriane o odiara:no seu primeiro dia de aula,Miguel estava sentado na carteira dela,que morrend'o de raiva,jogou os materiais sobre os do garoto e gritou "esse lugar é meu calouro!",e desde então,Sandriane o usava como "saco de pancadas",qualquer motivo era motivo de briga.Já o garoto,se simpatizara com ela,aliás,até por demais.
   Garoto,eu estou indo mebora,não vê?? Exclama Sandriane,ao ver Miguel na sua cola,bem no meio da rua.
   Miguel pouco se importava,apenas queria segui-la,andar junto da menina.Estavam acompanhados de mais um colega,Rômulo,amicíssimo de Sandriane.Rômulo desde sempre,tentou apartar as brigas entre ambos,mas de nada adiantara.Eles sempre gritavam um para o outro...Aliás,ela gritava e Miguel apenas escutava calado.
   -Vai começar a chover... - balbulciona Miguel,ficando ao lado dela - Melhor ficarmos debaixo de um toldo,ou...
   -Cala a boca e vai embora - diz ela,calma,mas com voz firme - rômulo,anda logo!
   E realmente,os primeiros pingos de chuva começaram a cair,e sandriane sentiu um leve toque de gota no seu nariz.Puxou os cabelos negros e enrolados para trás,e observando miguel,que tentava sorrir.
   A chuva começou a engrossar."Droga" pensou Sandriane,acelerando os passos,chegando perto do seu ponto de onibus...E a chuva aumentou.
   -Que merda! Exclama a garota,correndo para o ponto,e os outros dois garotos atrás,gritando para ela ir devagar pra não cair...
    A chuva já estava forte,quando o onibus de Sandriane passa por ele,indo para o ponot.A menina começa a correr,no asfalto,indo em direção ao veículo que parara a uns 10 metros de distância,até que...
    Ploft.Ela escorrega no próprio cadarço,molhado pela chuva e pelas poças na qual pisara na correria,caindo de bunda no asfalto.Os cabelos escorregavam no seu rosto,e ela ali,sentada no chão,com a cabeça abaixada.O onibus partira.
    -Nane,nane! Grita Rômulo,indo ao seu encontro,igualmente molhado.Miguel,mais nervoso ainda,corre a frente do amigo e ajoelha-se diante de Sandriane,que ainda estava de cabeça baixa. -Está machucada Sandriane?Está doendo?Fala!
    A chuva não parara.E Sandriane,de cabeça baixa,de repente começa a rir baixinho,e nervosamente começa a gargalhar,erguendo a cabeça,os cabelos jogados ao seu rosto.
    Miguel,sem entender,tenta fazer com que ela se levante,em vão,por que ela lhe dá um tapa e continua gargalhando,ali no asfalto,onde os carros passam bem ao seu lado,esguinchando mais água de chuva.
    -Que foi com você?Está machucada? Pergunta mais uma vez Miguel,também com os cabelos,agora,escorridos na testa pela chuva.
    Ela apenas ri.E de repente,se ergue,com o apoio de Miguel,e começa a girar na chuva,com os cabelos soltos e escorrendo agora pelas costas.
    -Que merda!Eu perdi o onibus por tua causa garoto,e agora to aqui,tomando chuva,e com certeza vou ficar com pneumunia por tua causa,mas estou pouco me lixando! - exclama ela,parando de gargalhar,e olhando pra ele - Se não fosse você,eu já ia estar em casa,quentinha,por que teria pego meu onibus no ponto próximo a escola,nãããão você teve que me seguir pra eu poder lhe dar atenção!Pronto,aqui estou eu,agora,lhe dando atenção!
   Miguel estava sem entender.Está certo que a muito tempo queria que Sandriane pelo menos olhasse pra ele,mas assim,no meio da chuva,e ainda por cima o culpando por ela ter se molhado?Foi um baque estranho.A presença dela agora era mais do que confortável,era única.
    -Por que não pegou o onibus lá na escola? Pergunta o garoto,tirando o cabelo da testa.A chuva estava ficando mais fraca.
    -Por que não ia dar tempo de eu te ignorar.
    De repente,como se alguém fechasse uma torneira,a chuva se encerra.Sandriane arrumou os cabelos e puxou a mochila,enquanto Miguel torcia o uniforme da escola.Ós doiss e encaram,e ele abaixa a vista,ainda olhando pra amiga,que ao notar,grita:
    -Pára de olhar pro meu sutian! E Sandriane,de punhos fechados,começa a socar Miguel,que começa a correr e a rir.
    Rômulo,que estava debaixo de um toldo da lanchonete ali,ignorada pelos outros dois,murmura pra si:
    -Esses dois não mudam nunca.
    E um sol quente e gostoso nasce atraves das nuvens de chuva.
Cerydwen
Enviado por Cerydwen em 10/05/2006
Código do texto: T153944
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Sobre a autora
Cerydwen
Reino Unido
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