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Ecos do Libertino

Eu conheci desde muito cedo a hipocrisia e maldade dos homens por traz das suas mascaras sorridentes e frívolas, durante muitos e muitos anos observando as pessoas mais próximas você acaba notando como no fundo ninguém da à mínima pra nada que não sejam os bens, excesso ou falta de trabalho, eu só posso achar hilário que essas pessoas acreditem tão veementemente num Deus, como calvinistas acreditam que essas coisas divinificam os homens tornando-os superiores e conhecem tão poucos aspectos da bíblia, acreditem em respeito ao próximo e faz tão pouco pra obter isso... Não meus leitores, de quem eu lhes falo aqui nesse pequeno texto não merecem a menor compaixão ou respeito, pela exacerbada ignorância, não aquela ingenuidade que nós vemos nas pessoas quando elas não têm maldade no peito, mas a alienação o fechar os olhos diante de um erro e consentir isso com a maior calma do mundo, como se todos fossemos passivos a esses erros imbecis, sim é claro que é muito fácil pra qualquer um ser um homem de Deus, mas e quanto entender os seus desígnios, caro leitor a essa altura você já deve estar achando-me em algo parecido com aquelas carolas de igrejas, mas a verdade é que eu nem mesmo me importo tanto com esses preceitos afinal eu mesmo não sou um seguidor fiel de uma religião, mas admiro os homens que o fazem sem arrependimento, de cabeça erguida e coragem no coração pra encontrar na fé forças pra lutar contra algo... Falo desses homens leitor e somente dessa ingenuidade que eu tanto amo e talvez gostasse até de tê-la, mas essas pessoas são tão escassas que praticamente se escondem na multidão ímpia, os quais eu chamo de hipócritas, mas deixamos de lado o prefacio meu caro leitor... Creio que de ler um pequeno ensaio filosófico meu já deixe qualquer um cansado deixo-lhes a seguir um conto, não uma obra de gênio, pois acredito que não vá alem do que um escritor medíocre é capaz de fazer, mas espero chegar alem dessa massa estúpida os quais nós os homens de fronte geniosa chamamos de caridosamente de “iguais” se não lhe parecer muito pretensioso prossiga meu caro amigo, quem sabe as personalidades não o identifiquem.

Vou lhes falar de uma mulher requintada chamada hoje em dia de Madame Heather, a nossa digníssima senhora teve por seus ensejos de graça e majestade uma vida de luxo e tranqüilidade não posso negar-lhes que era uma mulher bela, de medidas exatas, cabelos longos e vermelhos, olhos de um cinza penetrante que lhe despiam até a alma e corpo delgado, sim... Heather sempre foi uma daquelas que eram cobiçadas por todos os homens que a rodeavam porem, ela era... Como poderei descrever... A própria besta na face mais delicada, que encantadoramente se escondera lá só pra seduzir melhor. Eu mesmo já me deixei levar por esses pequenos disparates da juventude e acabei deixando me apaixonar por esse monstro que era a jovem Heather, tive minhas ilusões, mas certamente entreguei meus sonhos à pessoa errada... Falarei disso mais a seguir. Apesar de não sermos um casal nós sempre crescemos próximos afinal éramos companheiros de sala e eu sempre pude observar como sua moral se envergava quando ela precisava se defender de algo e como ela era diabólica e faria de tudo para alcançar seus meios sem se importar com o que houvesse no caminho, sempre a vi entre todos os pecados capitais principalmente o vicio e luxuria nos cursamos cursos diferentes nas mesmas faculdades e com o passar do tempo ela mudou (ao menos eu achei) e eu cai nas garras desse divino demônio novamente.
Ao que parecia ela havia mudado e amadurecido, crescido e se tornado uma mulher, com um bom coração e um jeito de se portar mais humano, menos cruel, ainda tive a oportunidade de vê-la entre grandes obras de caridade, ajudando pessoas necessitadas ficamos juntos dessa vez por mais tempo sete longos anos eu tinha pelos meus vinte e três anos e ela era dois anos mais velha quando nos envolvemos. Passei bons momentos ao lado dela, ela em nenhum momento mostrou que era o mesmo demônio que eu viria a conhecer em todo o tempo que nós estivemos juntos sempre foi uma mulher caridosa um verdadeiro anjo, na cama era até muito tímida, apesar de satisfatória jamais poderia prever suas tendências selvagens... Bom após tanto tempo de namoro decidi a desposaria e pouco tempo antes do nosso casamento, enquanto ia visitá-la em sua casa após o termino do horário de curso. Encontrei-a então em meio a cinco homens, no cumulo da devassidão, há caro leitor se visse o que eu vi naquele momento, como seus olhos brilhavam cheios de malicia e nojenta... Confesso que a tristeza apoderou-se de mim, mas junto com ela vivia um tremendo nojo de pertencer à mesma raça que ela, me sentiu um lixo e desapareci umas semanas... Fiquei em um pequeno quarto de hotel numa cidadezinha vizinha a da nossa, era um lugar campestre e gostoso, quase uma pequena vila de tão pequeno e perto da natureza ah! Como ela é boa conosco, apesar de dar-nos tudo para depois tirar ela sempre me pareceu perfeita, ao menos naquela pequena cidade por entre aquela floresta onde eu sentia que as sombras se assemelhavam a minha alma.
Quando voltei o que pude fazer foi terminar o relacionamento com Heather por uma carta a qual jamais falei o motivo disse apenas que precisava ficar sozinho, não tive coragem, desgostoso de minhas capacidades duvidava que aquele doce anjo pudesse ser um demônio tão cruel, passei alguns anos em triste solidão, deixei a minha cidade natal por outra uma pequena metrópole onde lá passei em torno de quinze anos terminei meu curso e trabalhava, mas sempre sem me envolver com ninguém, não tive amigos, nem mulheres, nada passei todo esse tempo numa imensa depressão tentando encontrar uma razão mais forte para viver, sem sucesso obviamente então eu a encontrei já tinha certa idade e era mais velho do que ela... Seu nome era Cherry uma inteligência tremenda, apaixonada pelas letras e a humanidade, como eu, ah minha doce e eterna Cherry por horas discutimos sobre as pessoas e a sua ignorância, idéias, autores, pintores, filosofia, pensamentos, tudo! Parecia que com que ela eu conseguia me comunicar perfeitamente, sentia de fato prazer em falar de outro ser humano, me perdia entre a beleza de seus olhos verdes e seus cabelos louro-acinzentados, ah ela tinha de fato um encanto perfeito algo em toda a sua gentileza e carinho fez-me apaixonar assim facilmente, sentia-me angélico novamente! Podia voar em meus sonhos e pensamentos, como fui feliz todo aquele tempo após um longo tempo em nossas conversas que nunca acabavam começamos um relacionamento puro e sincero! Ela com aquele jeitinho meigo e cativante quatro anos depois eu pleno de minha confiança em sua pessoa, que era para mim como um anjo caído do céu, nos seus beijos sentia o mais delicado toque como a brisa gélida da manha, no seu toque a delicadeza da seda oriental, sua voz parecia um réquiem tocado por anjos logicamente os mais habilidosos! Então casamos-nos e fomos muito felizes ela como minha esposa também era perfeita atenciosa, preocupada e tinha um ciúme tão lúdico que me fazia ama-la cada vez mais em cada um desses gestos que eram, para mim, verdadeiras demonstrações de amor e carinho.
Numa noite tempestuosa enquanto saia do trabalho, fazia um frio tremendo e chovia como nunca antes virá, encontrei ninguém menos que Heather ela parecia me esperar lá fora do prédio da empresa, trajava um, sobretudo e luvas ambos negros, tinha os cabelos presos em forma de coque e em sua mão esquerda tinha um cigarro sua aparência mudará obviamente como qualquer um havia envelhecido porem não tanto quanto deveria e ainda tinha aqueles olhos de cobiça que eu agora tinha tanto nojo logo indaguei – Heather! Há quanto tempo – dei um sorriso amigável e convidativo – nossa o tempo parece ter sido gentil com você – ela deu um sorriso malicioso e uma longa tragada no cigarro que tinha as mãos – ah meu caro... Vim aqui para vê-lo – olhou-me com bondade e bom grado – peguei algumas informações suas com seus pais e soube que poderia encontrá-lo aqui e então como tem estado à vida? – senti um calafrio por todo o meu corpo! Como se nessas palavras soubesse o que eu iria responder – estou muito bem, minha vida tem estado perfeita posso dizer-lhe não tenho do que reclamar – então com um olhar como me medisse dos pés a cabeça disse – nunca entendi ao certo pelo que você me deixou, não dizia o porquê na carta – há! como ela era hipócrita! Mas mesmo assim continuei a conversa – bom eu disse na carta que precisava pensar e estar sozinho – ela respondeu rapidamente – mas decidir algo assim tão perto do nosso casamento? O que te levou a isso? – eu então simplesmente fechei o rosto com um olhar de “não quero falar” creio que ela entendeu então um silencio predominou e eu logo desconversei – e você o que faz? Como tem estado? – ela me deu um olhar serio e disse – olha eu preciso de você! Você faria minha vida feliz agora, não tenho ninguém e sei muito bem que sua mulher não o satisfaz como eu conseguia e eu posso fazê-lo muito bem você bem sabe disso – eu então olhei um tanto confuso e disse – claro que pode... - antes que ela pudesse continuar abaixei meu chapéu o continuei andando pela chuva até o meu carro graças ao bom deus ela não me seguiu, mas ainda pude ouvir algumas de suas palavras de longe, voltei para casa e Cherry notou o meu olhar um pouco perturbado, mas estávamos um pouco atrasados para o jantar que havíamos marcado, era uma ocasião especial para nós dois fazíamos quatro anos de casados, o jantar fora maravilhoso, trocamos juras de amor novamente como se fossemos ainda namorados falamos do tempo que estávamos juntos das nossas dificuldades as quais sempre fomos capazes de superar e ter como uma boa lembrança, minha doce Cherry brota-me um sorriso só de dizer o seu nome.
E então enquanto íamos ao estacionamento que era subsolo nós a encontramos... Heather ela estava lá! E nos esperava, eu fiquei surpreso, pois ela ficou parada em nossa frente ainda com aquele enorme sobretudo Cherry percebeu meu desconforto e perguntou – querido quem é ela? – eu não respondi apenas coloquei um olhar pesado sobre Heather e ela então disse – minha vida tem sido um inferno! Tornei-me prostituta! Ninguém naquela cidade mais me quis, todos descobriram o mesmo que você descobriu meus pais se recusaram a me dar apoio e mandaram-me embora de casa e vim pra cá e assim tenho ganhado a vida... Mas eu sempre o amei! Por favor, volte pra mim – ela então colocou sua mão dentro do sobretudo e sacou um revolver, um taurus calibre 38, apontou-o em direção a minha cabeça e disse – volte para mim! Traga o respeito dos outros de volta! Do contrario o matarei aqui mesmo! Você e a sua esposa! Essa piranha desgarrada! – Cherry ficou assustada e então eu calmamente respondi – você mulher é um demônio cruel, Sodoma e Gomorra não a aceitariam em seus portões, jamais trocaria minha doce Cherry por você... Ela é capaz de me oferecer muito mais do que você pode – sorri amigavelmente e disse – adeus Heather – ambos demos as costas e enquanto eu empurrava a cadeira de minha Cherry até o carro pudemos ouvir o barulho do tiro e dos seus miolos explodindo para fora do seu crânio...
Alucart
Enviado por Alucart em 14/08/2006
Código do texto: T216021

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Sobre o autor
Alucart
Praia Grande - São Paulo - Brasil, 28 anos
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