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Isabel

Isabel



Verão de 1990

Jamais me esquecerei do que aconteceu naquele verão, quando conheci a mulher mais espetacular com quem já cruzara. Ninguém pode imaginar como ela é aquele perfume. Deus! Um cheiro enigmático, parecendo absinto, e atraindo a todos por onde passava. Quem mulher eu pensava, e eu menino de tudo, no auge dos meus dezoitos anos... Ao vê-la passar na rua com seus vestidos colados e colo mui devassado, trazendo escândalos às mulheres e medo aos homens, que bestificados com sua beleza não paravam de olhar para ela. Isabel assim se chamava a minha Afrodite, a rainha dos meus sonhos, e sacerdotisa da minha virgindade.

Aqui começa mais um diário, sei que pode parecer estranho para um homem ter um diário, mas eu gosto de escrever aquilo que sinto e principalmente sonho. Fui passar as férias na pequena cidade de Nova Aliança. Fui para casa da minha, e imaginava apenas descansar e curtir o verão, porém o destino me reservara uma surpresa. Adorei rever os parentes e meus primos, que logo me vieram contar da vizinha em frente que acabara de se mudar. Uma mulher que ninguém sabia da onde vinha e porque tão jovem morava sozinha. E eu não podia imaginar como minha vida mudaria após te-la conhecido. Bem vou contar um pouco sobre mim, além de jovem sou muito religioso e conformado com meus atributos físicos, quero tornar-me padre, e entregar minha vida a Deus, pois já que a vida me rejeitou, o celibato e a solidão me farão bem. Em casa de minha tia comecei a contar a ela sobre minha vocação. Ela ficou muito triste pois sabia que eu era muito jovem.

- Pedro você é muito jovem para decidir entre o celibato e a vida normal.
- Tia já estou de caso pensado, receio que a senhora não compreendeu minha vocação, tenho certeza do que estou fazendo.
- Pedro que saudade!
- Rafael quanto tempo. Que saudade primo.
- Pois é faz um tempo.
- Venha. Tenho que lhe contar as novidades.

Diário, olha o que me Rafael me contara sobre Isabel era estonteante, uma mulher estranha que acabara de chegar à cidade. Senti um arrepio percorrer-me a espinha como se adivinhasse o que estava por vir.
Á noite saímos eu e meus primos para curtir a cidade, na volta para casa eu quis ainda ficar um pouco mais na pracinha para observar a noite. Meus primos deixaram-me e foram embora. Eu estava sentada na praça, quando senti um aroma diferente no ar, um cheiro doce e hipnotizante, quando me viro nem acredito. Uma mulher com longo vermelho, como se tivesse saído de um sonho.

- Oi! Você é novo por aqui? Qual seu nome?
- Pedro. Seu criado.
- Prazer! Chamo-me Isabel!
- Estou de férias na casa da minha tia.
- Que bom espero te encontrar sempre.

E ela foi embora como fazia sempre. E eu rapidamente rezei um terço e chegando em casa ajoelhei-me nas pedras, pois meu ato precisava de uma penitência. Quantas vezes eu a imaginava em meus braços com aquele perfume, aquele corpo com curvas do pecado. Meu Deus eu precisava parar. Isso não era para mim, não podia pensar em Isabel, mas aquele pensamento me excitava, me dava prazer, e eu não podia sentir. Então cada vez mas eu me punia, não podia deixar aquele desejo me invadir.

- Tia vou dar uma volta pela cidade.
- Pedro não demore hein!

E saindo da casa da minha tia, reparei no sobrado em frente, e quando olho pela sacada reparo, em um vulto, comecei a sentir arrepios, então era ela, a deusa, a imortal a Vênus renascida, ela Isabel.
Ela carinhosamente olhou pra mim e me mandou um beijo. Ah Isabel se soubesses o que provoca em mim. Mas ela sabia ah como sabia. E acho que isso lhe dava mais prazer.

- Pedro! Sobe aqui! Vem fazer-me uma visita.
- Acho melhor não Isabel.
- Estás com medo de mim?
- Claro que não!
- Então vem!

Cometi o maior erro de minha, mas subi. O desejo em meu coração falou mais alto. Entrei em seu recanto, e logo senti aquele cheiro aquele perfume, aquele doce perfume... Isabel serviu-me uma taça de vinho. E eu fiquei, mas tonto com sua beleza do que com a taça de vinho. Mas ela sabia, ela sabia o que eu sentia e queria se aproveitar disso, queria tirar proveito da minha virgindade, mas eu não podia deixar, não podia deixá-la acabar com minha vida por causa do pecado.
Sentindo aquele cheiro, não percebi quando ela sentou ao meu lado. Meu Deus como era difícil não ficar embevecido diante de tanta beleza. Ela tocou-me na minha pureza, disse para mim que estava sonhando comigo todos os dias. Tentei sair-me dela, mas não deu. Quando percebi tinha pecado, meu Deus pensei, pequei, pequei contra santa amada igreja.
Já poderia imaginar meu castigo, mas diante de Isabel tudo ficava estranho, e ao mesmo tempo mágico, ela era linda, meus como era linda!
Depois dessa tarde, dias se passarão e todas as tardes eu ia a casa de Isabel, visita-la e lógico ela me mostrava o poder, o poder de quem tinha um segredo meu, ou a minha pureza que não mais me importava.
Mas ainda não imaginava o que ainda viria o que aconteceria comigo e com Isabel.
Faltava uma semana para eu ir embora, e fui a casa de Isabel para me despedir e ela fez a dura revelação.

- Pedro, estou grávida!
- O quê?
- Um filho Pedro, para unir nosso amor.

Não pensei comigo, minha deusa Isabel me traiu, planejou o fruto do meu pecado, jamais alguém poderia saber disso. Por que ela fez isso comigo. Por que estragou tudo. Não era um filho que estragaria tudo em minha vida, acabou o encanto. E a máscara caiu. O feitiço acabou. Não poderia permitir tal infâmia!

- Isabel? Por que fizeste isso? Porque meu Deus?
- Não fiz nada Pedro, agora temos algo q nos une.
-Não! Jamais permitirei tal coisa.

Com uma raiva sem poder explicar, com um sentimento de ira, fui até a cozinha e peguei uma faca, e acabei! Acabei com aquele ventre infame. Com aquela feiticeira, com aquela bruxa, com a rainha das putas, a minha Afrodite. Agora já não sei mais nem sei. De repente do riso fez-se o pranto, delicioso e brando como a brisa...
Hoje não tenho nada
Se não estás aqui
Meu coração se apaga

Isabel, se você vai embora,
Teu Deus se cansara
Não deixe que este amor morra assim
Chorarei, chorarás, sofrendo de solidão
Volta para mim e eu te farei feliz...

Isabel...

Buscar, sentir
A grande paixão de amar
Tentar ouvir
Esse tempo que virá
Fugindo do passado
Eu e Tu
Sempre apaixonados

Que saudade de ti Isabel...
 Não posso viver sem ti, e não poderei viver com tal pecado...
Vou encontrar-te Isabel onde estiver...
 E com um golpe só o pobre menino outrora jovem, agora moribundo...
O som forte do baque de um corpo caindo ao chão

Silêncio .....................

Charlise de Orleans
Enviado por Charlise de Orleans em 19/09/2006
Código do texto: T243959

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Sobre a autora
Charlise de Orleans
Campo Grande - Mato Grosso do Sul - Brasil, 28 anos
23 textos (14779 leituras)
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Charlise de Orleans