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UMA NOITE


                                         
Era a primeira quarta feira de agosto, os bares fechavam logo depois do futebol na tv. O sino da matriz tinha acabado de anunciar a hora, eram duas horas da madrugada. A cidade dormia tranqüila sob uma chuva rala, e o silencio era rompido apenas pelos cães que ladrava ao menor movimento. Andando pelas calçadas por entre as sombras, sem pressa alguma. Aquela altura da noite só havia um lugar aberto e funcionando dentro da normalidade. Pouco dinheiro no bolso e muita vontade de vadiar, eis aí uma combinação perigosa. Se tivesse sorte encontraria Jose sem expediente. Depois de caminhar muito, entrei numa rua estreita com calçamento de piçarra e caminhando mais uns cem passos vi um carro e duas motos enfrente a casa de muro alto e portão trancado. Fiquei um pouco desanimado, mas não desisti me aproximei da casa e toquei a campainha. Lá dentro havia pouco barulho. Quem veio abrir a porta era uma morena que aparentava ter um pouco mais de 30 anos. Era uma velha conhecida, abriu a porta e depois um sorriso que expressava satisfação em revê-me. Verdade é que eu não dava muita atenção a ela, já tinha a levado para a cama mais de uma vez, mas não era uma de minhas  prediletas, preferia sempre as mais novas e ela parecia saber disso e não se importunava muito. Há uma semana atrás chegou a comentar comigo que eu parecia está enrabichado por Jose. Verdade é que tinha uma certa predileção por Jose, tratava se de uma garota que alem de ser bonita era agradável, coisa rara naquele ambiente, ainda que fosse o melhor que a cidade tinha para oferecer.
  Dentro da casa uma turma jogava cartas. Conhecia o pessoal de vista, dava para entra. A aposta era de cinco reais a mão, na carteira apenas 20. Olhou envolta para ver quem escolheria dali para passar o resto da noite, logo que ganhasse o suficiente. Talvez perderia o ultimo trocado que tinha, mas estava decidido a me ariscar.
Jose estava ali próximo, colado em Alfredo, um velho comerciante da cidade, que. era com certeza o mais endinheirado da mesa, ale dele estava mais dois rapazes, ou melhor, dois malandros, que viviam quase todas as noites da semana na vadiagem, o incrível é que eles não trabalhavam e nem tinham pais ricos. Nem um dos dois rapazes parecia estar a fim de se divertir com as garotas dali. As meninas estavam abandonadas a um canto, menos Jose que de fez em quando recebia do velho comerciante um pouco te atenção, ela devia esta esperando uma grana alta, pois do contrario já tinha se retirado dali. Junto à morena estavam a dona da casa, Bete e Vânia numa mesa ao ali bem próxima jogando domino para se distraírem, de vez em quando uma se levantava para pegar mais uma cerveja. A dona da casa era uma senhora branca e magra da bunda seca, de cabelos curtos, usava óculos, não era bela, mas tinha um sorriso simpático que agradava a clientela. As outras duas eram jovens, a que aparentava ser mais velha devia ter um pouco mais de 20 anos. Era uma ruiva de pele bem clara, olhos castanhos, cabelos na altura dos ombros, cintura quase reta, uma barriga saliente bem amostra saltando para fora da blusa, vestia mini saia e parecia muito cansada. A outra, era um caso preocupante, será que tinha mais de 18?  Talvez não. O problema é que era um tesão de menina e tinha um sorriso todo sapeca. Botei logo na cabeça que se ganhasse o suficiente alem de tomar Jose das garras daquele velho imundo, também pegaria aquela pequena para ter uma farra das boas, mas tudo seria uma questão de sorte. Sorte ou azar? Seria o que tivesse de ser.
Bruno, o mais velho dos rapazes parecia está levando vantagem no jogo. Pedi uma Cuba Libre e demorei um instante analisando a situação, vi que o outro, colega de Bruno, pois eles sempre andavam juntos, parecia esta perdendo e por isso aborrecido.Já o velho absolutamente calmo.Depois de um tempo percebi que dava para entrar no jogo e entrei sonhando com o premio máximo. E o premio máximo me sorriu.  Neste instante tive a impressão que estava me desejando boa sorte. As outras ficavam a distancia, até porque nenhum dos clientes parecia querer outra coisa no momento que não fosse jogar. Ganhei duas mãos seguidas, Sessenta reais a mais em meu bolso. A sorte parecia esta sorrindo para mim mesmo e tinha nome, se chamar Jose. Agora estava empolgado, mesmo não ganhando a terceira continuei com o mesmo entusiasmo, não vacilei quando na quarta o velho propôs o dobro. Perdi outra, mas a sorte, e mais outra. Quando pensei que a sorte tinha me abandonado ela me voltou a sorrir voltou a sorrir. Daí em diante a vantagem sobre os adversários só aumentava. Lá pelas duas e meia da manhã senti que já havia ganhado o bastante, cerca de quatrocentos reais, dinheiro de um mês de trabalho. Resolvi que sairia do jogo. Por essa altura os dois rapazes mostravam-se num absoluto mau humor. Havia estragando seus planos de depenar o velho. Acho até que neste momento estava correndo perigo e se eu já deseja passar a noite ali, agora mesmo e que não me arriscaria a sair antes do amanhecer. O velho que o tempo todo mostrava se tranqüilo, embora estivesse perdendo mais que os outros, lançou-me uma proposta.
_Vou te dá uma oportunidade de dobra o que ganhou.
Queria que eu arriscasse tudo que havia ganhado numa só partida. Era tudo ou nada.  Agradeci, pois já era bastava aquela quantia. Mas como o velho continuou insistindo, acabei topando, sabia que estava me arriscando de mais, se perdesse o dinheiro, teria que ir para casa liso, correndo o risco de se pego pelos os dois que não me perdoariam por ter estragado seus planos. Acho que o gosto pela aventura suplantou o bom senso. Encarei a parada. E tempo que durou aquela mão sofri a angustia de quem esta fazendo uma tolice, absolutamente desnecessária, mas no fim dei sorte. Somei uma quantia de oitocentos reais, dinheiro de dois meses de trabalho. Não conseguia conter-me de tão emocionado, levantei da mesa e agarrei a garota do velho que a essa altura parecia já ter previsto o que aconteceria. Agarrei a garota e sem cerimônia, lasquei-lhe um beijo. Quando me dei conta do que tinha feito olhei em volta e fiquei feliz em ver que o velho estava  rindo, não tinha se aborrecido de maneira alguma. E Jose, numa boa colou-se e mim como se fossemos namorados. O meu troféu sorria para mim e me chamava de sortudo.
O velho pagou a conta e veio cumprimenta-me.
_ A sorte hoje lhe sorriu, aproveite bem, e olhando para Jose, já estou indo, faça companhia ao meu amigo_ e voltando-se para mais uma vez para mim_ como é mesmo seu nome ?
_Mateus.
_Mateus... um belo nome, é de um evangelista
_Sei.
_Tenha uma boa noite Mateus.
Ele sai, a essa altura os dois rapazes já tinham partido, sem que eu notasse.
Jose agora era minha. Na manhã seguinte faltaria ao trabalho outra vez.
O dia amanheceu mais tarde na quinta feira. O sol já estava alto. E a desculpa da chuva não era possível para uma falta, nem mesmo para um atraso. Olhei o céu azul de verão, que bom seria se pudesse ir a praia, mas não podia. Tinha que correr ao trabalho e enfrentar a chefia sem uma desculpa boa para o atraso ou ficar ali mesmo escondido esperando, uma hora mais adequada para sair, sem que fosse notado por algum conhecido. Mas porque não passa o dia ali mesmo, junto com Jose, curtindo a preguiça, ela ia gostar. Já havia feito isso antes. Deitou na cama ao lado dela que dormia quietinha. Uma beleza de menina, nua, corpo descoberto sobre o lençol amassado.

Cleiton da silva
Enviado por Cleiton da silva em 27/10/2006
Código do texto: T274934
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Sobre o autor
Cleiton da silva
Capanema - Pará - Brasil
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