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A espera...


Ruas vazias, portas quebradas, ao longe nada era habitado uma
cidadezinha pequenina que ficou abandonada. As ruas estreitas, as casas entre uma parede e outra, soltando os tijolos mostrando que por ali há muito tempo ninguém morava.

De longe uma casinha, próximo ao pequeno riacho, a fumaça que sai da chaminé mostra que nem todos partiram. Haverá alguém sozinha, nessa cidade que está a doer.
Resolvo me aproximar, uma curiosidade que me consome.
Bato palmas, pergunto se alguém está ali, mais nenhuma resposta, bato então na porta, e em meus pensamentos me pergunto;
Porque será que não seguiu com os outros, ficando num lugar abandonado sem haver qualquer recurso.
Bato mais uma vez, e nada, parece que não tem ninguém em casa, dou uma volta ao redor da casa e me deparo com uma senhora abatida, olhos tristes, olhar meigo de face sofrida.

Que faz aqui minha senhora? Porque está só, num lugar tão solitário assim!
Há alguém morando com a senhora? Porque não foi embora com os outros?

Ela me olhando um pouco assustada disse:

Partir para que, se aqui é meu lugar, como seguir, se é aqui que meu amor está.

- Ah! Desculpe, pensei que estava sozinha!

Sozinha - Ela me disse.

Sozinha como pessoa, mais muito mais acompanhada como qualquer outro ser vivo, meu marido faleceu há dez anos, mais está aqui, ao meu lado! Ele é minha companhia, é minha alegria. É meu consolo. Estamos esperando a hora que Deus venha me buscar para seguirmos juntos para a vida eterna.

Minha senhora não tem ninguém aqui, Não posso partir, e saber que uma senhora tão frágil irá ficar aqui sem ninguém para lhe cuidar.

- Meu filho, me desculpe, eu estou pronta, para estender as mãos e ser feliz eternamente ao lado dele. Se eu deixar nosso lar, iremos nos perder, e quando for minha hora ele estará ao meu lado, se eu sair ele não irá me achar

Minha senhora, seu marido lhe achará onde quer que esteja, amor assim tão belo, não se perde, permanece por toda a eternidade! Vamos , não quero deixá-la aqui.

- Não meu filho, você não entendeu, não posso partir, meu amor antes de falecer, me pediu para não sair da nossa casa, pois ele estaria todos os dias ao meu lado.

Está bem, a senhora sabe o que faz, voltei à estrada, e ao longe avistei aquela querida senhora me olhando, acenando um Adeus.

Com os olhos cheios d’água, emocionei-me ao ver que ao lado dela, estava ele, com a mão sobre seu ombro, vendo-me partir. 


Andreia Cristina Guadagnin
Enviado por Andreia Cristina Guadagnin em 22/11/2006
Reeditado em 11/01/2007
Código do texto: T298344
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Sobre a autora
Andreia Cristina Guadagnin
Pariquera-Açu - São Paulo - Brasil, 40 anos
199 textos (20218 leituras)
2 e-livros (138 leituras)
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Andreia Cristina Guadagnin