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Pela Diversão

Ele tava ali parado, encostado no carro, rindo e bebendo uma cerveja long neck. O filho da puta. Filho da puta. Quando eu vi, comecei a tremer, tive que acender um cigarro pra relaxar. Fumei sem pressa a porra do cigarro, toda vez que olhava pro cara me dava vontade de vomitar. Caralho. Caralho.

Mas eu ia ensinar direitinho pra ele. Ninguém mexe assim comigo cara, ninguém. Se ele tava achando que eu ia deixar barato, se enganou feio. É que comigo rola esse problema, além de ser vingativo, sou um sádico escroto e doente. E eu não tenho força, nem sei brigar, então quando quero quebrar alguém tenho que pensar um tanto.

Esse escrotinho vem beber nesse posto toda vez, sempre depois da "balada" ele para o carrinho e fica ali junto com os outros amiguinhos ridículos dele. Encostado ali eu fiquei pensando se ainda valia à pena o que eu ia fazer, se ia adiantar alguma coisa. Cheguei a levantar pra ir embora mas, no meio do caminho veio aquela voz "Se não adianta nada, faça pela diversão".

Então é isso, pela diversão. Comprei uma cerveja e fiquei esperando. Quase vinte minutos e nada. Minha raiva ia crescendo, as unhas encravando na palma da mão. Aí ele desencostou do carro, bêbado pra cacete, e foi em direção ao banheiro. Nessa hora tive que parecer discreto. Deixei a garrafa numa lixeira, taquei outro cigarro na boca e fui atrás.

Entrei, encostei a porta e fiquei ouvindo ele mijar. Quando o barulho foi diminuindo cheguei perto. Deu pra ouvir o barulho do zíper sendo puxado. Aí meti a mão na boca do cara, puxei a tesoura da cintura e enfiei na barriga dele. Pelo tanto que o olho dele tava arregalado, dava pra perceber que o carinha tava gritando muito.

Daí eu soltei a boca dele e empurrei a cabeça direto pra quina do mictório. Sabe quando rola aquele som oco de quando a gente bate o joelho enquanto mija? Pois é foi tipo isso, só que mais feio, porque ele ficou sangrando muito na altura da testa. Aí ele desacordou. Caralho, achei que o fulano ia ter mais a manha que isso.

Mas eu nunca termino enquanto não estiver satisfeito. Catei ele pelo cabelo e abri a portinha da privada. Já assistiu "Os Bons Companheiros"? Grande filme, especialmente as torturas da Máfia e tal. Se eu tivesse um martelo, marretaria os dedos dele... você pegou a idéia. Seguro a cabeça do cara com as duas mãos e meto ela na privada. Os dentes vão quebrando, um a um, enquanto eu vou repetindo isso. O moleque acorda numa dessas, todo sangue, parece que tá em estado de choque.

Ele começa a choramingar que nem um bebê e, por São Sebastião, eu não bato em crianças, eu não faço nada de mal a crianças, eu quebro são uns carinhas escrotos, uns desgraçados que acham que podem tudo na vida. Eu quebro os caras até eles pedirem pra parar, até eles voltarem a ser criancinhas que querem o colo da mãe e uma seringa com morfina pra aliviar a dor.

Então e peguei ele pelo cabelo e falei "Olha pra mim seu puto, olha direito pra você nunca mais esquecer da minha cara. Cê mexeu com o cara errado, tá ligado? Fica esperto porque eu posso fazer coisa pior, coisa bem pior. Nem pensa em vingança, nem pensa em denúncia. Sei onde é que cê mora e sou bem pior que você”.Ele só ficava chorando, chorando e tal, encolhido perto da privada. Tranquei a portinha e saí por cima do box, tinha sangue na minha calça e na minha blusa.

Abri a porta do banheiro e saí pelo outro lado, pro fundo do posto, com a porra da tesoura na mão. Eu podia ter matado o cara, eu tinha esse poder, mas deixei ele viver, deixei ele viver com medo. Pra lembrar de mim toda noite e chorar. Taquei a tesoura num bueiro e fui andando até a minha casa.

No escuro da madrugada, todas as manchas de sangue parecem lágrimas.
Rafael Santos
Enviado por Rafael Santos em 22/11/2005
Código do texto: T74798
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Sobre o autor
Rafael Santos
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 34 anos
6 textos (175 leituras)
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Rafael Santos