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Santificado Seja O Vosso Nome

  Escuras nuvens pairam sobre sua cabeça, enquanto ele suporta dores quase que insuportáveis.

   Olhando para o céu, ele espera sua carona para casa, enquanto pensamentos e visões penetram nos caminhos escuros de sua mente.

   De algum modo, ele consegue ver muitos sóis e muitas luas adiante. Valente novo mundo onde vidas e amores são perdidos no jardim do medo. Jardim onde cruzes são queimadas.

   Sangue escorre pela sua testa e pelo seu rosto, mas suas mãos não podem lhe amparar. Enquanto esse líquido vermelho que alimenta a máquina vai percorrendo de norte à sul o casulo de sua alma, ele continua a viagem por seu santuário interno, com as visões de dias futuros, navegando por mares ainda desconhecidos.

   Ele caminha como uma pequena criança. Seus olhos são frios como o fogo celeste e ardentes como o gelo inerte. Reza a Deus pedindo para que lhe poupe de tudo aquilo. Aquelas coisas ferem seu coração. Pecados mortais. Ele se lembrará de tudo para sempre. Os pecados realmente existem? Mas ele sabe que lágrimas ele não irá chorar.

   Seria a morte o fim ou o começo de tudo? Sacrifício celeste? Há mistérios que talvez nunca sejam revelados.
   O caos que leva à perfeição. Ou à imperfeição.

   Lâminas de prata movem-se agora sob seus pés e ele deseja ardentemente saber qual a escolha certa a fazer. O mal que os homens fazem vive para sempre. Tanto no presente, quanto no fututo e até mesmo no passado.

   Agora ele chora, mas mais uma vez ele vê que não são lágrimas. Ele chora o seu próprio sangue. Ele chora o nosso sangue. O mesmo sangue que por toda sua estada no mundo dos humanos, correu em suas veias. O combustível de sua máquina. Maquina que agopra está destruída, com um golpe da lança do destino, mas seu espírito espera uma carona para casa.

   Em um ultimo esforço, ele levanta os olhos em direção ao céu e com algumas palavras entrega seu espírito. Sua máquina também será elevada aos céus, mas somente depois de três tristes sóis. Talvez por um anjo de prata em uma máquina de prata.

   Será que todo o sofrimento, que destruiu a máquina e machucou o espírito foi em vão? Será que o espírito ainda continua sendo machucado?

   Está consumado.
Alencar Moraes
Enviado por Alencar Moraes em 26/11/2005
Código do texto: T76655
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Sobre o autor
Alencar Moraes
Espírito Santo do Pinhal - São Paulo - Brasil, 29 anos
9 textos (505 leituras)
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