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Amores Brutos #3


Estávamos conversando um dia desses, ele me falava que jogar em um relacionamento é uma coisa muito perigosa. Eu disse que talvez não, que preferia ser uma jogadora, blefar e trapacear. Ele falou que sim, talvez isso pudesse parecer confortável, mas quem joga não constrói nada, vive eternamente retraído no medo de se envolver. Talvez ele estivesse certo, mas muitas vezes é tudo como um mosaico doentio de dor e decepção. Se aproximar demais é se expor. Se expor é sofrer. As pessoas são mesquinhas e tolas demais pra podermos confiar nelas... quem é que confiaria em si mesmo?

Acho que ninguém faria isso. Confiança é coisa de gente ingênua, e acho que não existe ninguém no mundo que mereça algo tão precioso. Também não existe amor, construção de quem sonha muito. O que existe é o medo de perder, a conveniência, o ciúme, a necessidade.

Eu sei o que sinto, e acho que é raiva, decepção e raiva. Não das pessoas que passam pela minha vida, mas de mim, a pessoa em quem menos confio, a pessoa que mais me faz sofrer.

Às vezes eu queria ser uma jogadora... passar meus sofrimentos para os outros, fazer as pessoas se sentirem mal pra compensar minhas frustrações. Tudo pra eu poder sorrir de novo, porque viver de mentiras é simples e confortável.
Rafael Santos
Enviado por Rafael Santos em 26/11/2005
Código do texto: T76701
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Sobre o autor
Rafael Santos
Belo Horizonte - Minas Gerais - Brasil, 34 anos
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Rafael Santos