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incidente em Vila de Fátima parte 3

3 - O PRIMEIRO TELEFONEMA

A ligação estava péssima mas ao ouvir "como está Vieira velho de guerra", reconheceu a voz longínqua de Afonso, amigo de academia de polícia, mais que isso, cria do mesmo chão e terra e ar e água da Vila de  Fátima,  uns  tantos  anos mais novo que Vieira, servindo desde cedo na delegacia da capital e antes que Vieira pudesse responder qualquer coisa, que estava tudo bem e você, sua esposa, filhos, etc e tal, Afonso passou o recado como um mensageiro afoito, temeroso de esquecer a que viera: Vieira, estou ligando para convidar você e sua esposa dona Esmeraldina, Soninha estava de fora o que não era nenhuma novidade, para minha cerimônia de posse, hoje,  como secretário do secretário do secretário de Segurança Pública e faço questão que vocês sejam meus padrinhos. Vieira quase chegou a dizer: puxa, justo hoje no último dia da minha carreira como delegado, com um caso, o primeiro e último, literalmente pendurado, eu agradeço sim, mas antes de aceitar ou não a ligação caiu ou Afonso na pressa desligou e Vieira ficou do lado de cá, feito estátua, segurando o telefone ainda na orelha, tóin-tóin-tóin, imagina só Afonso secretário do secretário do . . .  parecia conversa de gago, mas a verdade é que ele tivera mais sorte ao ser designado logo no início de carreira para servir num posto da capital onde ocorrências é que não faltam além de uma boa equipe e equipamentos dos mais modernos enquanto ele só tivera como braço direito o cabo Solto e como ocorrência o trivial.
Estava procurando a chave da cela, quando veio do corredor um clique seco, uma luz e passos que não eram, com certeza, do cabo Solto.
Eugenio Asano
Enviado por Eugenio Asano em 10/04/2005
Código do texto: T10581
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Sobre o autor
Eugenio Asano
Guarulhos - São Paulo - Brasil, 59 anos
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