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A MENINA:

                              A menina

                   Outra noite eu tive um estranho sonho, e por vários dias andei pensativo, procurando por uma explicação  e  nada  consegui saber,  o  porque daquele sonho, mas deixe eu contar  meu  sonho. Em meu sonho eu via muitas pessoas, entre elas uma menina toda vestida de branco, uma personagem saída de um conto de fadas, não resisti, me aproximei  dela, que  de  repente levantou-se e sumiu em  meio  a  multidão, tentei  segui-la, mas foi impossível, porque  algo  estava  acontecendo,  todas  as  pessoas  agora  estavam  vestidas de branco, ali perdido fiquei,  sem  nada  entender,  o  que  era rua já não era mais rua.
                   Eram Campinas cobertas por trigais, e alamedas circundados por altos e frondosos pinheiros, que se perdiam ao longo das Campinas amareladas, pelas ramas do trigo ali plantado, e lindo jardins de rosas e todas eram brancas, formavam um contraste maravilhoso, com o verde dos pinheiros e a amarela esperança dos trigais e o branco da paz sob o céu azul. De repente lá estava a menina, agora vestida de vermelho caminhando entre as rosas levando na mão uma rosa vermelha e um ramo de trigo. Segui-a distancia ao longo do caminho que ela percorria, ás vezes parava olhava para traz para ver se eu a seguia, e foi assim por um longo tempo, até chegarmos a uma cerca de ciprestes bem aparados, que serviam de cerca para uma linda casa pintada de rosa, a menina foi recebida no portão por uma Senhora muito parecida com ela, já não olhava mais para o caminho as suas costas, pois sabia que eu estava lá.
               Entregou a Senhora o ramo de trigo e a rosa vermelha, e sumiu no interior da casa, sem olhar para traz, fiquei vários minutos por ali esperando que a menina voltasse. Agora o pátio estava vazio não havia mais ninguém, resolvi ficar por ali mais um pouco, por isso procurei um lugar para sentar, e meditar, e tentar entender o porque aquela menina me atraiu até aquela casa tão linda, e assim eu fiquei pensando por longo tempo, então senti que o sol estava se pondo, fui olhar as horas, meu relógio havia sumido e o mais estranho, eu agora estava vestido de branco como as outras pessoas. Meio confuso, já sentindo um pouco de medo, voltei minha atenção para casa,
                 Que eu achava tão bonita, já não era tão bonita assim, o que eu vi me deixou horrorizado, no lugar da casa rosa, agora havia um imenso prédio negro pela fuligem que saia das várias chaminés ali existente, era um crematório, no pátio que antes era tão bonito, agora havia filas de pessoas nuas que aos poucos iam entrando naquele prédio, empurradas por soldados acompanhados por ferozes cães de guarda, procurei pela menina não a encontrei, mas vi que um soldado alemão tinha um pedaço de pano vermelho na mão, um ramo de trigo e a rosa, que a menina havia entregado aquela Senhora, minutos antes. Custei a entender o que estava acontecendo ali, pois eu jamais havia visto um campo de concentração, a não ser em filmes fantasioso ou algum documentário na TV, pois eu estava exatamente em um campo de concentração, eu só não sabia o que fazia ali, andando entre os soldados, ao me aproximar do portão por onde as pessoas passavam, eu sentia mais do que ouvia os lamentos e as aflições das pessoas lá dentro, então pensei: -o que faço aqui, eu não vivi esta guerra, pois nasci em outro país no outro lado do mundo em 1946, isso quer dizer que a guerra já havia acabado, á ameaça que era Hitler já havia sido banida da terra. Perdoe-me por ter interrompido o meu sonho para as minhas divagações.
                   Ainda caminhando por ali, e assistindo aquelas cenas, eu me sentia horrorizado, pois jamais pensei que um ser humano seria capaz, de cometer tantas atrocidades em nome de um ideal, ou de uma farsa como foi Hitler, enquanto pensava eu continuava por ali entre os soldados e cães, e vitimas daquele holocausto. De repente um desejo enorme se apossou de mim, e eu senti a necessidade de entrar naquele prédio, para ver de perto o que acontecia lá embora eu imaginasse, o que se passava lá dentro, pois eu sentia, como se minha alma estivesse lá, mas entrar lá não me foi possível, pois naquele momento eu acordava, eu estava chorando, com minha esposa a meu lado tremendo de medo, tentava me acalmar, levantei-me abri a janela do quarto, e olhei para o céu, e vi entre milhões de estrelas, uma que brilhava mais forte, e me chamava atenção, porque era diferente das outras, e seu brilho tinha uma tonalidade diferente, ás vezes avermelhada, às vezes branca, outras amarelas: Então me lembrei do meu sonho e da menina que me levou até aquela casa, e depois aquele campo de concentração, com as mãos postas olhei o infinito e aquela estrela que continuava brilhar intensamente,perguntei?
                   Porque meu Deus? Eu tive que passar por tudo isso. Como eu já disse, eu não era nascido, e nada tinha a ver com esta guerra, ou será que tinha?




Volnei R. Braga:














Volnei Rijo Braga
Enviado por Volnei Rijo Braga em 04/03/2006
Código do texto: T118412
Classificação de conteúdo: seguro

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Sobre o autor
Volnei Rijo Braga
Pelotas - Rio Grande do Sul - Brasil, 69 anos
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Volnei Rijo Braga