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O jardineiro

Ele fora contratado como jardineiro, mas não tinha cara de jardineiro, nem de pedreiro, carpinteiro ou qualquer 'eiro' da vida. Tinha cara da doutor. Limpo, asséptico, polido, bem educado.
        No primeiro dia de serviço, limpou jardim e adjacências com perfeição. E com o passar do tempo, a grama começou a ficar mais verde, as flores voltaram a abrir e o jardim tinha ares de festa, mas com tudo muito em ordem, muito limpo, perfeito.
        Um dia, os patrões sentiram falta da cadela, uma labrador treinada, mas que dava muito trabalho. Vivia roendo as plantas e desfazendo canteiros.
Procuraram por todos os cantos, na vizinhança, no bairro. Colocaram anúncio no jornal com recompensa. Nada.
        Naquela semana, uma nova planta apareceu no jardim, muito verde e bonita. Presente do jardineiro.
        Um mês depois, desaparece um dos gatos da casa, um viralata, que costumava fazer seu xixi e cocô num canteiro do jardim. Nem foi procurado. Ele vivia dando seus passeios pela vizinhança e só voltava dias depois todo arranhado das brigas. Era corriqueiro que desaparecesse. Voltava logo. Só que desta vez, não voltou nem uma semana, nem vinte dias depois. Nem nunca mais. Sumira completa e definitivamente.
Mas uma nova planta apareceu no jardim. Presente dele, o jardineiro.
        E o jardim estava florido, verde reluzente, organizado, perfumado. Perfeito para as brincadeiras do gato preferido da família, o persa branco. Brincalhão a mais não poder, subia e descia dos arbustos e árvores para fazer festa para a sua dona. Nem sempre as plantinhas resistiam ao peso e quebravam, deixando um rastro de galhos dependurados à sua passagem.
        Naquela semana, mais uma linda planta, presente do jardineiro apareceu no jardim. Mas o gato persa, coisa estranha, desapareceu, sumiu, evaporou. Tristeza e choro. O consolo vinha das flores que o jardineiro colhia e colocava nos vasos da patroa.
        O jardim, a cada dia mais florido, era o orgulho daquela casa. E o jardineiro, que não tinha cara de jardineiro trouxe, por aqueles dias, mais uma planta nova. Ainda tinha um gato siamês na casa, que gostava de remexer seus canteiros...
 
odeteronchibaltazar
Enviado por odeteronchibaltazar em 18/04/2005
Código do texto: T11849

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Sobre a autora
odeteronchibaltazar
Florianópolis - Santa Catarina - Brasil, 63 anos
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(estatísticas atualizadas diariamente - última atualização em 08/12/16 20:30)
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