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Ipê (Amarelo)

Andava continuamente sobre aquela rua, todos os dias, às vezes em tardes vazias, pisando sobre as folhas em migalhas, todas no chão, já esmaecidas pelo tempo.
Algo lhe impulsionava, tinha de ir além, mesmo que sem destino, afinal destinos são promessas? Ao cruzar com a garota com flores nas mãos sentia no peito algo há tempos adormecido, acometido por pensamentos e canções, daquelas que partem o peito, via as flores e tinha visões, redenção, desejo, paixão...A rua guardava em si toda magia, agora em deslumbre na estação de outono, não necessitavam palavras, seria um infortúnio diante de tanto encanto. Pelas manhãs o tom era rubro, o sol ainda vagava dentre as nuvens, escondido, como ele em frente à aparência lívida, inebriante, dessa que pousa e tece seus sonhos em madrugadas de insônia, sim a garota das flores... Rosas cor de sangue, quem seria a pessoa a se presentear todos os dias? Carregava em si uma face inquieta, dessas que se mostram em corações partidos, mãos tremulas, suspirante...
Mesmo em dias de tempestade seguia o caminho com fé, além de seu pisar cotidiano, tudo era insípido, fugaz, nada se compara à visão plácida e tentadora dessa que o deixava atônito, Desviam-se olhares, sutis, sente no âmago o doce momento da reciprocidade, segundos são como uma vida em contemplação, queria desse momento à eternidade adormecida, sem prantos, sem medos, amor em vida...
Procurando palavras nunca ditas, transborda em ti algo ardente, sentia-se tomado pela embriagueis da ternura, tocar-te, não mais apenas em sonhos...
Brandas manhãs, a fragrância sutil sobre dias lilases, a visão diária do Ipê Amarelo o impulsionava ao ventre dos sentimentos, tomado pela garota das rosas vermelhas, em dias de chuva intensa veste-se com a cor negra, denuncia a lembrança sentida...
Ah! Quem o dera, que fosse por ti, das lagrimas que escorrem em dias úmidos, desejo, entrega, por onde caminhar?
No transpor do dia, já tomado pela embriagueis matinal dessa visão cintilante, contrastes, face alva, as rosas vermelhas, segue o caminho tracejado, leva consigo todo seu amor, persistência, como se fosse um selo carimbado, não há fuga para tais dias...
Basta segui-la como se fosse combinado, no embalo dos sonhos, canções que gelam...
Devota na lápide da Paixão alucinante a imagem da garota das rosas cor de sangue, queira “DEUS” que conceda a ti o brilho de seus olhos azuis, sedentos, coberta de rosas vermelhas, debaixo do Ipê Amarelo, dentre a sombra dessa futura manhã abençoada, certa, e tão esperada...


Eperdus
Enviado por Eperdus em 24/04/2005
Código do texto: T12838
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Sobre o autor
Eperdus
Curitiba - Paraná - Brasil, 43 anos
39 textos (1277 leituras)
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