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A beleza de Ana

A beleza de Ana

Ana odiava tudo em sua volta. O céu azul sempre lhe parecia nublado, o sol radiante era sempre apagado, e ela se achava a mais feia das criaturas. Tudo bem que ela não tinha o padrão de beleza exibido na mídia e nem fazia sucesso entre a turma da escola, mas toda essa nuvem em sua volta era reflexo do seu mau-humor, cultivado desde a infância quando sua mãe se matou com um tiro na cabeça depois que descobriu que seu pai estava tendo um romance com uma moça mais velha e mais bela que ela.

Nem sempre a juventude é sinônimo de beleza. A mãe de Ana nunca foi bela e morreu jovem, aos 21 anos de idade. Depois da morte da mãe, Ana se trancou em seu mundo e passou a conviver com o sentimento nublado como seus dias e suas noites. Ela não conhecia o significado do amor, pois nunca foi amada por sua mãe, nem por seu pai. Ambos tinham vergonha de exibir a filha.

Apesar de não possuir beleza, Ana era inteligente e sabia de tudo que estava acontecendo em sua volta. Seu único amigo era o Pitipu, uma espécie de urso de pelúcia com características grosseiras. Ela dizia que ambos se pareciam. Na escola faziam concursos de feiúra e Ana sempre era a forte candidata. Ela odiava essas brincadeiras.

Mas um dia sua vida ganhou uma nova cor. Ela conheceu Juliano, um menino como ela que odiava as mesmas coisas que ela e que sofria do mesmo preconceito. Ambos fugiam do padrão de beleza exigido pela sociedade.
Eles ficaram amigos e compartilhavam a mesma angustia de ser diferente. A compatibilidade de gênios desabrochou um sentimento nobre entre ambos, em pouco tempo começaram a namorar, foi quando Ana descobriu que nem tudo era feio e que a beleza do sentimento que um sentia pelo outro era maior do que qualquer padrão de estética. Eles se completaram e passaram a sorrir, a ver o céu azul, a ver o sol radiante e a gostar de si mesmo. Os amigos, antes distantes, se aproximaram. Tudo mudou, pois eles transbordavam amor e a beleza desse sentimento era lindo.

Ana e Juliano se casaram e tiveram dois filhos exuberantes. Depois de muito tempo eles viram que não eram pessoas feias, mas diferentes e que poderiam ser felizes, mesmo sem seguir uma regra que é criada pela mídia. Anos se passaram e Ana foi convidada para estrear uma marca de um perfume. Ela aceitou a proposta e foi símbolo de beleza de uma época que ainda está no auge hoje. Ana era uma pessoa magra, com nariz grande e pontudo, pernas longas e cabelos encaracolados, que não havia pente que desse jeito. Seu 1,80 m de altura, que lhe garantiu o direito do apelido de girafa ainda aos 13 anos, fez sucesso nas passarelas do mundo e aos 38 anos Ana era um fenômeno. Então ela concluiu: beleza é uma moda, antes eu não estava na moda, agora estou. O certo é que o amor sempre estará em moda.
SHIRLEY CASTILHO
Enviado por SHIRLEY CASTILHO em 25/03/2006
Reeditado em 13/09/2008
Código do texto: T128555
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Sobre a autora
SHIRLEY CASTILHO
Belém - Pará - Brasil
50 textos (4702 leituras)
4 e-livros (1351 leituras)
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SHIRLEY CASTILHO