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Amor de Seda

Uma das coisas mais enervantes para um ser humano é a espera. Bem, estava eu lá na esquina esperando. Esperando alguma coisa acontecer.

Havia saído do trabalho e vim para o bar costumeiro para o meu happy-hour. Já havia tomado 4 uísques. Entrava e saia do bar como uma barata cada vez mais tonta. Era casado, tinha 41 anos, e esperava as coisas acontecerem. E sempre aconteciam.

A noite era agradável. Plena primavera, aragem bem-aventurada rebatia no corpo, aliviando o calor.

Ele surgiu esbaforido, com roupas desalinhadas, cabelos revoltos, enfim,um trapo.Era meu chefe na repartição.

Pensei, a princípio, que ele viera me fazer companhia. Não. O assuto era mais grave.

Ele disse que como em todas as tardes de sexta-feira sua mulher vai fazer um curso de corte e costura. Levava uma duas horas fora.Todas as semanas a esma rotina.Devia ser para aliviar a rotina caseira.

Imaginei logo que ele tinha arrumado confusão com sua secretária, que tinha resolvido afinal se encontrar com ela, apesar de sua moral não permitir muito encontro extras-cconjugais.

De minha parte, pensava eu, o mais interessante do casamento eram as rápidas e inesperadas fugas sexuais. Era o atrativo do casamento.

Era um risco calculado. Mas valia a apena . Sua secretária era bonita e gostosa demais. Estava sempre em seu pé para um encontro furtivo. ele sempre ,deixava para amanhã.

Sua vida conjugal com a mulher ia de mal a pior. A relação era automática, insensível, parodiana, cansativa e não levava a nada. Ele só cumpria mais um dever de casa.

Era como limpar a cozinha, arrumar o quarto ou fazer um conserto de alguma coisa no apartamento. Vulgar e incosequente, sua vida sexual era indecifrável.

Se acontecia assim com todo mundo, não era uma justificativa, mas um alívio. Todo o casamento, depois de anos, leva a um tédio de dar água na boca a qualquer sacerdote.

Afinal, ele havia tomado uma posição: havia ganho a secretária !- Pensei. Mas porque tanto nervosimos? O negócio havia sido tão bom assim que fazia ele tomar um uísque atrás do outro?

Ele me contava coisas sem nexo,ofegante. Levei-o para dentro do bar e tomamos um rapidamente uma garrafa de uísque.

Ele parecia mais aliviado.E eu mais apreensivo com meu amigo. Sentia,algures, que ia sobrar prá mim. E sobrou:

- Será que podia dormir em sua casa por uns dias até arrumar minha vida?
- Eu perguntei ansioso: - Mas vocês vão se separar?
- Lógico - disse ele. - Você acha que vamos continuar assim?

Eu concordei com ele e ofereci um cômodo em meu apartamento que estava vazio. Mas teria que explicar minha mulher o ocorrido e fazer dele uma vítima fatal do amor.

Um ímpeto que dá nos homens, que ele avança o sinal sem dar pelas consequências. No fundo, no fundo, tinha pena dele. Apesar das naturais desavenças sexuais, ele gostava muito dela, seja pelo tempo, pela convivência, ou qualquer outra coisa que faça unir um homem a uma mulher. Eu sabia que ele a amava.

Conversamos - ou melhor ele falou - mais de meia hora sobre seu amor por ela, que tudo havia sido de surpresa e chocante!

Chocante? - Imaginei mil coisas. Será que ele era um tarado imaturado?

Eu queria saber mais das surpresas e dos detalhes.

Então ele contou: Saiu do trabalho mais cedo depois de aceitar os desejos de sua secretária.Um encontro rápido, que mal teria? - Tentava se justificar.

Finalmente chegava a hora. Não aguentava mais ter aquele corpo maravilhoso, sem tocá-lo, sem aliciá-lo, sem possuir aquela rainha que parecia conhecer todos os segredos do sexo.Acedeu a tentação e foram os dois para o apartamento dele.

Certeza absoluta que a mulher levaria pelo menos umas duas horas prá chegar em casa e pela volúpia de seu amor, ele levaria uns quinze minutos par amar aquela deusa.

Ele chegou,muito disfarçado e tenso no estacionamento do prédio e subiram logo, pelo elevador de serviço, para despitar, e foram logo para o apartamento.

Tudo muito quieto para não chamar a atenção. Abriu a porta lentamente. Chamou pela mulher, como garantia que não havia ninguém em casa.

Percorreu silenciosamente todo o apartamento e viu que estava completamente vazio.

Foram os dois para o quarto

Mas quando abriu a porta do quarto encontrou sua mulher com três homens, todos nús, com os mais variados tipos de aparelhos.Rolava ali do sadismo ao masoquismo e todos os ismos sexuais que se encontram no dicionário sexual.

Ela agarrou a secretária e saiu correndo enquanto ouvia a mulher gritar:

- Meu bem...meu bem...não é nada disso que você está pensando !
José Kappel
Enviado por José Kappel em 07/04/2006
Código do texto: T135117
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Sobre o autor
José Kappel
Nova Friburgo - Rio de Janeiro - Brasil
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José Kappel