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TRAÍDO PELA LENDA

Por alguns anos ouvir e contei algumas lendas e crendices que nos assustavam, principalmente quando se tratava de coisas do outro mundo.
Certa vez, ouvi falar de uma história, que eu intitulei “A LENDA DA LOURA DA PONTE”, a história dava conta de que durante a construção da ponte que liga o segundo ao primeiro distrito da cidade de Macaé, houve um terrível acidente, um veiculo desgovernou e caiu no local da construção, fazendo dos seus ocupantes, vítimas fatais.  Porém as primeiras pessoas que passaram no local do acidente, viram ou disseram que viram uma mulher de aproximadamente trinta anos na cabeceira da ponte, gritando: “salvem  minha família”, no entanto, quem teve a coragem de parar e ir ao local, onde estava o carro tombado, disse que esta suposta mulher, estava morta ao volante do veículo e havia dentro dele outras pessoas, inclusive crianças que ainda agonizavam, porém ninguém resistiu aos ferimentos e quando o socorro oficial apareceu, encontrou todos mortos.
Durante muito tempo depois, acreditavam que essa mulher, aparecia a bordo dos barcos dos pescadores ou na beira do rio, gritando: “salvem  minha família”.
Contei essa história, tantas vezes, como se ela fosse atual e vi muitos marmanjos se borrarem de medo a ponto de pedirem, meios envergonhados e disfarçando, auxílio a outros colegas, para irem para suas casas, depois da rodada de bate-papo que durava até a madrugada, na esquina da casa onde morei até me tornar adulto.  Muitos deles pescadores, quando chegavam, que eu estava, logo alertavam:  Olha! Se for contar aquelas histórias de gente morta, me fale que vou sair fora.  Mas no final acabavam me pedindo para contar, e eu cinicamente dizia: “não sei de nada novo, mas como amanhã é noite de lua cheia, nunca se sabe” era o suficiente para sentir o medo nos olhares, então me divertia com minhas histórias, ouvidas pelos antigos e é claro, recheada com minha maldade “santa”.
“Mas como às vezes o “feitiço” cai contra o feiticeiro”, fui traído pela “lenda da Loura”.
__Por volta 1990, quando uma das minhas irmãs estava terminando o curso Técnico de Contabilidade, passei todo o ano levando e trazendo-a do colégio, na velha Monark Circular do meu pai.  Certo dia, deixei-a na porta do colégio, por volta das 18:45hs e voltei para casa, para aguardar até às 22:00hs, a fim de voltar e busca-la.  Porém no caminho, ao passar na tal ponte, vi uma linda mulher loura de mais ou menos 30 anos, sentada com suas belas pernas cruzadas, na cabeceira da ponte num degrau, onde os pedestres trafegavam, ao passar, tive a infelicidade de achar que ela me olhou e acenou para mim, até então, não me lembrava da tal lenda, foi aí que decidi olhar para trás, então vi essa mulher, acreditem! Sentada na garupa da bicicleta, na mesma posição que minha irmã acostumava sentar e continuava com a perna cruzada, e sussurrava em meu ouvido:  “salve  minha família”... “salve  minha família”... “salve  minha família”.
Nesse momento eu pedalei com tanta velocidade, que em segundos, mas parecia uma eternidade, cheguei ao único poste com luz que tinha no antigo coreto, e quando, de olhos meios fechados, apalpei vagarosamente a garupa da bicicleta, a mulher  havia desaparecido.
Desde então nunca mais me atrevi a contar histórias de “coisas do outro mundo”...
Bom, acho que  vou dormir com as luzes acesas, nunca se sabe
SILVINHO
Enviado por SILVINHO em 23/04/2006
Código do texto: T143683
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Sobre o autor
SILVINHO
Macaé - Rio de Janeiro - Brasil
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