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O QUÊ ACONTECERA COM SONINHA!!!?

   Era uma manhã linda, daquelas ensolaradas, convidativas para um agradável banho de sol acompanhado de um banho de mar. No meu trajeto para a escola via pessoas praticando "cooper". Tinha vontade de estar no lugar delas. No entanto, eu teria de trabalhar. Era quase fim de ano, passei uma boa parte da noite corrigindo provas e mais provas. As alunas estavam ansiosas, aguardando os resultados. Naquela manhã eu só teria, no Cenecista, a terceira, quarta  e quinta aulas. Em duas turmas de alunas maravilhosas e agradáveis, 1ª e 3ª série, dos saudosos cursos de magistério.
   Estava chegando ao pavilhão superior do colégio (mais tarde denominado de Pavilhão Prof. Dilson Alves de Campos) para dar início a minha primeira aula do dia, na 1ª série, do curso de magistério, quando ouvi um zunzum de alguns alunos. logo em seguida, vem o professor Geniltom, com uma aluna nos braços, seguido por uma boa quantidade de alunos e alunas.
   O professor Geniltom era professor de inglês, dedicado, bastante jovem, pessoa de fino trato e bstante querido e admirado por seus alunos. Expressava-se muito bem, corpulento, mulato legítimo, com altura de quase um metro e noventa, atleta, praticava remo em um clube da Ribeira. Era campeão de remo e possuía diversas medalhas.
   Procurei saber o que estava acontecendo através de um aluno do professor Geniltom que também era meu aluno. era o Roberto, apelidado pelos colegas de "Bicudo". Aluno camarada, alto, magro, gostava de usar um cavanhaque, prestativo, conversador, sabia de tudo que se passava no estabelecimento. Tinha o vício do cigarro. Vivia sempre sorrindo e gostava de chicanar com os colegas, daí a alcunha de "Bicudo".
   - Tudo bem Roberto? Como vai?
   - Vou bem...E o senhor?
   - Graças a Deus eu vou bem. Mas, me diga Roberto, quem foi àquela aluna que o professor Geniltom passou carregando nos braços e o que aconteceu a ela!!!?
   - Foi a Soninha, professor. A coitada da Soninha. O porofessor de Inglês perguntou na sala-de-aula quem tinha respondido a primeira questão das tarefas para casa de inglês. Soninha levantou a mão e disse que tinha feito. Então, ele pediu para que fosse até o quadro-de-giz e respondesse, por escrito, no quadro, a resposta. No momento em que ela estava escrevendo, começou a vomitar. Vomitou bastante e depois foi lentamente desmaiando. Deve ter sido comida que fez mal à coitada.
   Alguns passavam comentando que o lanche da cantina do Tonho fez mal à aluna; outros diziam que não comia nada da cantina.
   Uma das funcionárias chamada para limpar o vômito comentou com uma outra colega dela que o lanche da cantina do Tonho tinha provocado congestão na aluna.
   Procurei saber onde se encontrava a aluna Sônia e fui informado de que ela estava deitada na sala do SOE* - Serviço de Orientação Escolar. Era uma sala ampla e aconchegante, tinha como mobília cadeiras, mesas, sofas e poltronas, etc.
   A direção escolar, imediatamente, solicitara a presença da mãe de Soninha ao SOE da escola, visto que a mesma residia bem próxima ao estabelecimento.
   A aluna Sônia, chamada carinhosamente pela turma de classe como "Soninha", era uma adolescente querida por todos, muito bonita e simpática, de cor morena, tinha os olhos negros e os cabelos escuros bem compridos. Sua fala era meiga e de gestos educados. Tinha estatura média e corpo cheio para os seus dezessete anos. Estava noiva de um dos nossos alunos que estudava à noite, e fazia o curso Técnico em Contabilidade, trabalhava na Base Naval de Aratu.
   Cerca de poucos minutos que Soninha estava  no SOE, aparecera uma senhora vistosa, corpulenta, demonstrando preocupação, dizendo-se mãe da estudante, momento em que se dirigiu para o professor Geniltom:
   - O que houve professor com Sônia?
   - Ela vomitou bastante na sala de aula e depois desmaiou. Parece-me que foi alguma comida que lhe fez mal. Certamente deve ter sido comida!
   A mãe, de repente, ficou bastante nervosa, fazendo um gesto rápido, levantando um pouco os braços, dirigindo-se ao professor:
   - Foi comida! Foi comida, professor! Mas não fique assim preocupado, pois, na próxima sexta-feira, eu lhe garanto que ela estará casada.

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Obs.: *SOE  - Nesse perído da história da educação brasileira, todas as escolas de ensino de 1º e 2º graus, hoje ensino fundamental e médio, eram obrigadas a manter o SOE, por força de legislação, Lei 5.692/71. A legislação do ensino considerava tão importante esse setor que determinava constar na grade curricular e em todos documentos  de transferência escolares para ter validade nacional a seguinte expressão: "A orientação educacional é uma constante no estabelecimento".
   O SOE, era um setor nas escolas representado poor um Orientador Educacional, com especialidade acadêmica, tendo como objetivo orientar os alunos nas suas dificuldades, nos seus problemas, elevar a auto-estima, ajudar no inter-relacionamento escolar e familiar. É lamentavél que se tenha alijado esse setor tão importante das escolas do públicas, sobrecarregando o porofessor do ensino público. No entanto, a figura do Orientador Educacinal, permanece com atuação de grande utilidade em algumas unidades particulares de ensino, poor isso, não me resta a menor dúvida em afirmar que o ensino de qualidade neste país, ainda é o da escola privada. Quando é que nossos políticos de boa fé vão lutar por um ensino global neste pais?!!!                          
EVERALDO CERQUEIRA
Enviado por EVERALDO CERQUEIRA em 30/04/2006
Código do texto: T147785
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Sobre o autor
EVERALDO CERQUEIRA
Salvador - Bahia - Brasil
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EVERALDO CERQUEIRA