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A COMPRA

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...Sinto falta dele quando vinha e me beijava a boca, e não era só um beijo, me beija todinha. Me lambia à nuca, onde ele conseguia alcançar. Foi hoje mesmo, essa manhã, nossa parece ter uma eternidade que não o tenho mais em minha cama. Ele acordou meio triste, não me fez nenhum carinho, peguei em sua mão pequenina, ele olhava pra mim querendo me dizer alguma coisa, mas nada saia, só ficava chorando e gemendo. Ver aquele corpinho estirado, ali na minha frente, nossa. Dava dó mesmo. É de partir o coração
Eu lhe fazia um afago na cabeça, ele tentava ainda com um esforço sobrenatural em mexer com as perninhas e me retribuir o afago dado de qualquer forma. Arrumei sua comida preferida pela manhã, uns ovos cozidos com um cereal qualquer, ele não era muito exigente com essas coisas, mas não comeu tudo, coisa que não era comum dele fazer. Ele comia que lambia os beiços, logo ele que devorava como um animal suas refeições matinais. Pensei em chamar o Dr.Petison, médico que sempre cuidou dele desde seu nascimento até ontem, quando eu já o tinha feito no dia anterior. O Dr. Tinha me dito que era uma doença hereditária talvez passada pela mãe, pois era uma característica que só dava no sexo feminino. Medicou-o e passou alguns remédios, prontamente os comprei. Más que de nada adiantaram, pois hoje de manhã ele não avia melhorado, pensei em levá-lo ao hospital, porém creio que ele iria querer passar seus últimos minutos comigo sua “mamãezinha”.
 Tinha vomitado muito no dia anterior quando eu o mediquei, já não estava segurando nada no estômago. Fiquei esta manhã todinha ao seu lado, não podia deixá-lo em estante algum, pois ele tinha sido meu grande companheiro todos esses anos. Sempre lhe fazendo algum carinho, adorava que eu o cassasse e colocasse sua cabeça em meu colo. Ele tentava retribuir da melhor forma possível, mas sei que suas forças estavam se esvaindo, pouco a pouco. Já lhe disse que o Jack tinha uns belos olhos? Pois tinha! Seus olhos meios cinza com um esverdeado que mais parecia aquele efeito que da nas águas profundas do mar. Lindo!
Seus últimos minutos, ao meu lado, foram para mim eternos – A senhora sabe que estas coisas marcam muito-, disse a manzinha com os olhos cheios de lágrimas e em meios a soluços, - Sei sim senhora é muito difícil realmente esquecer de quem a gente gosta, respondeu a mulher com quem ela falava. Até que por volta das onze e quarenta senti seu ultimo e agonizante suspiro, pareceu-me eterno, ele não conseguia achar mais o ar da vida e quando o achava parecia que o oxigênio e que não achava mais o caminho dos pulmões. Ficou ali me olhando com os olhos brugueludos, fincados nos meus, como se por uma ultima vez me fosse dizer algo, mas ficou calado e amoleceu-se em meu colo, como ele sempre gostou de ficar. Vi até uma lágrima verter de seus agora, brugreludinhos olhinhos.
Por isso e que, agora, eu quero levar um cachorrinho, a senhora sabe né, para não me apegar tanto com ele. O que a senhora acha desse? É eu também acho que irei me apegar tanto quanto ao gatinho. Vai ser esse aqui mesmo com o pelo igualzinho ao do Jack Chan esse era o nome dele, vem com a manzinha vem, meus filhos adoram o desenho e os filmes dele. Pode escrever ai na ficha dele Jack Chan II. Nossa já vou, meus filhos devem estar chegando da escola em casa para almoçar. Paguei e fui embora.





LVS
Leonardo Vivaldo
Enviado por Leonardo Vivaldo em 01/05/2006
Código do texto: T148405
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Sobre o autor
Leonardo Vivaldo
Gama - Distrito Federal - Brasil
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