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Ezequiel

Capítulo I



Ezequiel nascera no dia 25 de Janeiro. Trouxe consigo os primeiros sinais de que não vinha ao mundo a passeio. O seu parto demorou quase quatro dias: Ezequiel não queria nascer.
    Durante três dias todos os médicos da região se revezaram na inútil tentativa de fazê-lo nascer. No terceiro dia chega da capital o renomado Dr. Brandão, exímio jogador de Bridge, e tmb o melhor médico de que se tinha conhecimento por aquelas bandas. Era um homem baixo, de traços leves, os poucos cabelos brancos sobre as orelhas contrastavam com os olhos negros, dava a impressão de estar sempre a sorrir, mesmo quando estava sério. Usava uma bengala africana, herança dos muitos safaris em que participou no Congo e que agora estavam fora do seu alcance devido a idade avançada.
    Chegou durante a manhã, já se sentia o cheiro da comida maravilhosa que Idalina, a cozinheira, preparava para o almoço. Foi recebido por Eduardo, marido e futuro patriarca. O Dr. Brandão notou que o seu anfitrião tinha a pele muito pálida, e que na testa uma rede de pequenas gotas de suor deixavam transparecer um estado de vigília e extrema preocupação. Trazia consigo uma mala de couro castanho, pediu licença, pousou-a sobre o móvel à entrada e após alguns segundos de uma busca tilintante, tirou de lá um pequeno frasco, que em seguida destapou e com um gesto autoritário, levou até o nariz de Eduardo e continuou a fazer sinais para que este respirasse fundo.
   No mesmo segundo em que Eduardo pensava dizer ao médico que quem precisava de cuidados era a sua esposa, sentiu um forte cheiro a amoníaco e entre as lágrimas que começavam a se formar nos cantos dos olhos, respirou fundo.
   O tempo parou por alguns segundos, e quando deu por si, já o médico ia em direção ao quarto, ajudado pela criada. A verdade era que se sentia muito melhor agora, isso o confortou. Após três dias de uma agonia profunda, e de ver quase uma dúzia de médicos entrarem e saírem de sua casa com a mesma cara de quem não fazia a mínima ideia do que estava fazendo, começava a duvidar das suas capacidades.
Quando o Dr. Brandão entrou no quarto, Mariana dormia, na cadeira ao lado da cama dormia também o último médico que restara das tentativas anteriores. Estava sentado, um braço sobre o colo e outro caído, como que a tentar alcançar o chão. A cabeça pendia para o lado esquerdo. A cena teve um certo impacto sobre o doutor, que, pondo a mala sobre uma pequena mesa ao lado da porta, dirigiu-se silenciosamente até o seu colega. Tocou-lhe no ombro com cuidado, mas o médico acabou por dar um salto e fez barulho suficiente para que Mariana acordasse.
   Chamava-se João Mezena, terminara o curso de medicina há alguns anos e desde então trabalhava num pequeno consultório no centro da cidade, a sua especialidade eram as moças que se reuniam para dançar nos fins-de-semana e uma dezena de amigos, com quem formava um grupo de boêmios profissionais. Conhecia de vista o Dr. Brandão, todos os médicos daquela região e de outras o conheciam. Ao fitá-lo, correu-lhe pela espinha e depois alojou-se-lhe no estômago um misto de vergonha e veneração.

   Talvez por ser tão jovem, ou simplesmente por parecer tão desajeitado, percebeu no olhar do velho médico um ar de reprovação. O Dr. Brandão não gostava do rumo que a medicina moderna tomava, com todas aquelas novas técnicas e terapias, aromaterapias, hipnose, homeopatia, eram, com certeza, charlatanices. Sem lhe passar pela cabeça que era essa a razão daquele olhar frio, João Mezena não sabia dizer se era por ter acordado a paciente, ou por não ter conseguido trazer aquela criança ao mundo.




Capítulo II


Mariana acordou com o barulho da cadeira quando esta foi projetada para trás pelo susto do jovem médico. Não se assustou, estava exausta. Mariana era uma mulher bonita, traços leves, mas bem definidos, um nariz pequeno de criança travessa. Estava suada, e todo o quarto parecia suar também.
Os olhos do Dr. Brandão passaram em revista o aposento todo em questão de segundos e, dividido entre dois pensamentos, o de ser prático e o de se perguntar que raio aqueles médicos todos andaram fazendo, deixou-se dominar pelo primeiro e então entregou-se ao que melhor sabia fazer, a prática da medicina.
Deu ordens a criada para que as cortinas fossem abertas, que deixasse a luz entrar pois há muitos anos que a humanidade não precisava dar a luz aos seus filhos em cavernas escuras. Pediu que todos os móveis que não eram necessários fossem, silenciosamente, retirados do quarto. Por fim, restaram apenas a cama e as suas mesinhas de cabeceira, um pequeno sofá e a mesa aonde tinha a sua mala, que agora havia sido posta ao lado da cama. Quando a criada que andava de um lado para o outro pensou que por fim haviam se acabado as exigências do velhote autoritário, teve que correr a casa e trazer todos os lençóis limpos, brancos de preferência.
Apesar da idade, o Dr. Brandão era um homem elétrico. Despejara uma torrente de ordens à criada, e no instante seguinte, segurava a mão de Mariana, e lhe desejava um bom dia. Apresentou-se, Mariana notou que o tom da sua voz havia mudado drasticamente de um momento para o outro. Ao acordar, ouvira-o dar as ordens a criada com uma voz grave, apressada e autoritária. Agora, segurando a sua mão, a voz era mais aguda, suave. Conversaram um pouco, começaram por falar da linda manhã, perfeita para se trazer alguém ao mundo, um bom presságio com certeza. O Dr. Brandão queria ganhar algum tempo antes de ter que lhe pedir o esforço de sair da cama por alguns minutos, mas era preciso que o colchão fosse trocado, assim como os lençóis. Em suas palestras na Universidade da República sempre acabava o discurso com a máxima: a higiene é a base de toda a medicina!
Riram juntos quando Mariana contou-lhe, que no final do segundo dia, aparecera um médico da cidade vizinha que trazia consigo uma pequena bola de metal presa a um cordão, e que dizia que o seu problema estava no magnetismo desequilibrado, Eduardo que já acompanhava a procissão de médicos com certa impaciência, não pôde se conter. Chamou-lhe a ele de desequilibrado e antes que a sua fúria atingisse níveis incontroláveis, a criada gentilmente acompanhou-o até a porta da frente, aonde, um pouco pálido e nitidamente trêmulo, fez um rápido aceno com o chapéu e pôs-se a andar.
Contou-lhe também, que os outros médicos disseram que a criança não estava em uma boa posição. Que era um parto complicado. Conversaram mais um quarto de hora, Mariana estava desperta e sentia-se bem. Aproveitaram então essa boa disposição para passar à limpeza da cama. Com a ajuda da criada e do médico, Mariana sentou-se no sofá posto ao lado da cama, enquanto rapidamente, o seu colchão era substituído, e os lençóis trocados.
Havia no ar um cheiro a lavanda e flores do campo que vinham dos lençóis limpos e que chegavam às narinas do velho dr. Brandão. Para ele, era o cheiro da higiene, era a batalha vencida contra todos aqueles seres invisíveis que nos minavam a saúde e nos traziam os males da velhice. Durante toda a sua carreira e também da sua longa vida, teve a certeza de que se fosse possível eliminar todos os germes e todas as bactérias do mundo, o ser humano seria capaz de viver mais de trezentos anos! No dia da sua morte, muitos anos depois, esse pensamento passou novamente e finalmente, pela sua cabeça.
Após um pequeno intervalo em que Mariana ficara a sós com a criada para poder ser lavada e trocar de roupa, o médico iniciou uma série de exames. Queria ter uma visão mais detalhada do estado clínico da sua paciente.

Depois de muito perguntar, apalpar, sondar se doía aqui ou ali e de fazer todos os exames devidos, deixou-se ficar quieto, pensativo. Após esse curto intervalo para reflexões, teve que dar o braço a torcer, e, talvez um pouco sem graça, anunciar que o que acontecia era exatamente o que os seus colegas haviam dito, a criança estava em uma má posição. Mesmo que isso não explicasse, no seu íntimo, o fato de já terem se passado três dias sem que essa situação mostrasse qualquer evolução, boa ou má.
Mariana notou que no semblante do médico, haviam alguns traços de preocupação. E fez um pedido, que só ela e Ezequiel puderam ouvir, pediu para ser ela a morrer se alguma coisa desse errado, queria que Ezequiel sentisse o calor do sol naquele dia.




Capítulo III

Vermelho. O mundo de Ezequiel era vermelho, apesar de ele não conhecer essa palavra, o seu significado ou mesmo qualquer outra cor. Mas o vermelho ele conhecia muito bem, tinha-o em todos os tons, acompanhados de uma temperatura reconfortante e aquele suave mas constante ribombar do coração de sua mãe.
Desde o começo da sua existência, aquele lugar era para ele o melhor do mundo, mesmo sem conhecer outros ou o próprio mundo.
A sua tranquilidade fora quebrada três dias atrás. O véu quente e húmido que o envolvia desaparecera de um momento para o outro. Sentiu-se desamparado e o seu instinto sobreveio, não podia se entregar, não sabia o que o esperava, mas tinha absoluta vontade de resistir a tudo o que pudesse vir. Pôs-se em alerta.
Na verdade estava mais preocupado do que aparentava, havia notado com surpresa que o ritmo do coração de sua mãe aumentava de forma sutil muito antes dos últimos acontecimentos. Junto a isso estava a visível falta de espaço. De uns tempos para cá crescera, e muito. Durante bastante tempo vivera como um planeta no espaço, ou como a única estrela em um céu negro.
Em dada altura acordou sobressaltado, olhou para o seu pequeno corpo, em especial as extremidades. Havia sonhado que elas mexiam-se, e melhor, que ele as mexia. Dentro do seu mundo não via qualquer vantagem nisso, mas Ezequiel além de observador, nasceria com uma curiosidade de fazer inveja aos gatos.
Concentrou-se no sonho, fez algumas tentativas mas nada acontecia. Tentou mais algumas vezes e nada. E no sonho era tão fácil. Teria esquecido o assunto, não fosse ter sonhado novamente e ao acordar, ter a sensação de saber exatamente o que fazer. Pondo em palavras que ainda eram estranhas para o nosso pequeno Ezequiel, o que lhe aconteceu poderia ser descrito através de uma metáfora: imagine uma pessoa, que nunca antes havia tido contato com a música ou qualquer instrumento musical, certo dia acorda e descobre que pode tocar qualquer música, qualquer instrumento, que sabe aonde estão as notas, os acordes e todas as cordas e teclas.
E foi isso que Ezequiel fez, tocou as suas teclas, uma a uma, enquanto, maravilhado, via as suas extremidades moverem-se ao seu comando. Eram, claro, movimentos rudes de astronauta, nada pomposo, mas o seu pequeno coração fez-se sentir em vibração maior do que o da sua mãe.
Ezequiel treinou bastante por assim dizer. Descobrira novos movimentos, melhorava na sua brincadeira. Junto com esse treino, iniciava-se o que viria a ser a sua noção do espaço. Certo dia, com um movimento mais brusco da perna, encontrou algo, uma barreira, macia, mas uma barreira. Repetiu o movimento e lá estava ela novamente, não podia passar dali. Notou em simultâneo e com clareza que o coração de sua mãe batia mais rápido. E após mais alguns testes, descobriu que não havia sido por acaso. Toda vez que voltou a repetir a experiência, o coração de sua mãe respondia com uma leve alteração no ritmo. Encontrara uma forma de comunicação, única, como pensava então.
Nos últimos tempos a brincadeira começava a perder a graça, com o seu crescimento já não tinha a mesma liberdade de movimentos, em contrapartida, encontrou uma posição muito confortável, a qual passou a adotar religiosamente.
Aceitou essas alterações em silêncio, mas não as tinha sem importância. Os últimos acontecimentos agora serviam-lhe de lupa, e aumentavam todas as alterações anteriores. Tinha a impressão desagradável de que o seu sossego seria quebrado.



Capítulo IV

Ezequiel não cedia, permanecia no conforto do ventre materno, aquecido, ouvindo a sinfonia que o coração enorme de sua mãe tocava só para ele. Estava cansado. Nos últimos dias o seu mundo desabara. Apesar disso, sentia-se forte. Continuava ali, dono do seu reino, até agora havia conseguido resistir.
Mas as coisas iam de mal a pior, o seu próprio casulo, o seu abrigo, o seu universo vermelho, começava a ruir.
Não se sentia bem, estava apertado. Havia aquela pressão constante sobre todo o seu ser, não era muita, mas estava lá.
Notou que essa pressão aumentava e diminuía em movimentos irregulares, e que pouco a pouco, o empurrava. Possuía um instinto feroz, na velocidade de um pensamento, transformou todo o seu mundo na necessidade de ir contra aquela força. Movia-se. Não tinha muito espaço, mas encontrou nesse detalhe a sua força. Em outras palavras, Ezequiel esticou-se. Com os membros esticados, descobriu que conseguia parar aquela lenta marcha que lhe era imposta. Não fora uma vitória completa, não conseguiu retomar a sua posição inicial, e a pressão na sua cabeça começava a se tornar desagradável. Mas já não se movia, e assim ficou por mais tempo do que alguma vez houvesse se apercebido até então.
Entretanto veio a calma, a pressão diminuíra, tudo parecia normal, por um momento Ezequiel entregou-se a esse pensamento, mas logo recompôs-se, sabia que ainda não terminara.
Permaneceu naquela posição mais algum tempo, mas estava realmente exausto. Nenhuma de suas brincadeiras havia algum dia exigido tamanho esforço. Antes que se apercebesse, adormeceu.
Acordou sobressaltado, desta vez não vinha do sonho. Olhou para a parte de baixo do seu corpo. Foi dali que soara o alarme, ele tinha certeza.
E realmente, notou com surpresa que não estava só. Havia ali mais alguma coisa, ele não sabia o que era, mas naquele momento, não lhe causava medo. Pareciam-se com os seus braços, mas não tinham corpo, eram apenas dois braços parecidos com os seus. Ficou imóvel, enquanto estes tocaram e apertaram levemente os seus pés. Então, desapareceram.
Aquilo deixara Ezequiel paralisado. Não foram as aparições ou a sensação que ainda sentia de haver sido tocado pela primeira vez. Foi outra coisa que paralisou o nosso Ezequiel, que, no momento em que se atrevia a tocar nos intrusos do seu casulo, viu pela primeira vez aquela luz.
Não se podia chamar de um raio de luz, ou um relâmpago, ou qualquer outra coisa. Ezequiel ainda não conhecia a luz em toda a sua plenitude naqueles dias, a sua luz era decomposta em milhões de partículas. Podemos sim, falar em densidade. Até então, nunca havia visto uma luz tão densa como a que viu junto aos seus visitantes. Ele, que pensava-se já ter vistos todos os tons de vermelho possíveis, descobriu uma gama toda nova, durante alguns escassos segundos.
Assim que se encontrou só novamente, permaneceu imóvel, enquanto aqueles novos tons desapareciam. Voltou ao seu velho mundo, que agora e para sempre desde então, assim seria chamado.
Precisava de mais. Não bastavam para si aqueles segundos, queria ter todo o tempo do mundo como sempre tivera até então. Não era justo.
Obstinado e curioso, curvou-se. Dobrou o pequeno corpo, contemplou os seus pés por alguns instantes, notou os dedos, alinhados, mas não teve tempo de pensar no assunto. Fixava o local de onde vieram os seus visitantes, não havia ali nada que indicasse a aparição ou a existência dos mesmos, mas Ezequiel sabia que era aquele o lugar.
Tentou olhar mais de perto, mas estava em uma má posição. Tinha a cabeça junto aos pés e não conseguia virá-la livremente. Voltou a posição inicial. Começou então por girar o corpo lentamente, apoiando-se à sua volta. Quando conseguiu pôr-se na direção que pretendia, manteve as pernas esticadas e soltou os braços, inclinou a cabeça para frente, e logo a seguir, todo o seu pequeno corpo girou.
Logo após a sua primeira pirueta e por alguns instantes, ele pensou que aquela posição era fantástica, principalmente por que a pressão na sua cabeça desaparecera. Precisou do tempo de esboçar um pequeno sorriso, para então perceber que havia ali alguma coisa muito estranha.
Ezequiel só conhecia o que era macio até então, e o que tinha atrás de sua cabeça não o era.
Penso que é neste momento, que vemos a primeira expressão filosófica do nosso Ezequiel, quando ele deixa-se ficar alguns segundos envolto em considerações acerca de suas ideias até então. E foi aqui também que pela primeira vez, teve vontade de voltar atrás e fazer aquilo de um modo diferente.
Nesta nova posição, a sua técnica para permanecer imóvel já não tinha efeito. O que sentia agora na cabeça era diferente da antiga leve pressão que sofria. O que sentia agora saberia ele no futuro, era uma leve dor e um constante latejar. Acabava de cair em uma armadilha da sua própria curiosidade, pensava ele.
Não havia pensado na luz desde que a sua cabeça começara a doer, e quando começaram aqueles movimentos descompassados que o empurravam, ainda não havia pensado no assunto novamente.
Sentia a pressão nos pés, mas não era como havia imaginado. Durante a sua luta para permanecer no seu lugar de direito, tinha a impressão de que lutava para não se deixar ir. Mas acontecia que ele não ia a lugar nenhum, estava, lentamente, a ser esmagado. Tinha as pernas e os braços junto ao corpo, a dor que sentia na cabeça aumentou e com ela veio novamente, uma leve pressão. Foi então, que, num intervalo dos seus pensamentos, lembrou-se da luz. Não pensara mais nela e agora ela invadia a sua mente. Sentiu o corpo voltar a deslizar muito lentamente, mas não se importou.
Na sua cabeça, os seus tons multi-avermelhados, conhecidos de longa data, recebiam descargas calorosas de luz, eram como os fogos de artifício que veria anos mais tarde, com o seu pai. À sua volta, a luz surgia a curtos espaços de tempo em posições variadas, ele tentava acompanhar esses movimentos mas não era possível, estavam ali todas as luzes, todas as cores e todas as sombras deste mundo. Ezequiel voltava a apreciar os seus novos vermelhos.
Pouco a pouco, as luzes se foram. Ezequiel estava mais uma vez de volta ao velho mundo, e sentiu de imediato, que não conseguia mexer a cabeça.
Dominado pelo seu espírito observador e a sua curiosidade urgente, fortaleceu-se ao admitir para si próprio, que neste momento, estava provavelmente no pior lugar do mundo. Tendo todos esses elementos reunidos na sua cabeça de explorador, decidiu, de espírito leve, deixar-se levar.
E foi na madrugada do quarto dia, que Ezequiel conheceu o rosto de sua mãe.
Nuno Négrier
Enviado por Nuno Négrier em 28/05/2006
Reeditado em 30/05/2006
Código do texto: T164836
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Sobre o autor
Nuno Négrier
Portugal, 40 anos
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