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FINAL DE CAMPEONATO


“Acho que tirar a bunda daqui me força a olhar para a HUMANIDADE,
 e quando você olha a Humanidade você TEM que reagir ” (Charles Bukowski)

A bola no centro do campo, os jogadores posicionados, o juiz apita. Início do jogo. Bliim!! A campainha toca. Justo agora! Tinha acabado de abrir uma cerveja geladinha. Levanta-se de seu confortável sofá e vai até a porta. Vê pelo olho mágico, há um entregador de flores. Estranha. Não vou atender. Resolve voltar para o sofá.  A bola já está rolando. Os zagueiros marcam o camisa 10 do time adversário, mas este dribla com gingados que faz lembrar o bom e velho Garrincha. Bliiiim!!! Não existe mais sossego nesta merda?! Ainda tenta acompanhar os dribles do camisa 10 pela grande área, mas já está desassossegado.  Lá está o rapaz com as flores nas mãos parecendo mais papa defunto disfarçado de florista.  Liga para o porteiro. Pelo interfone, Seu José. Boa tarde. Olha Seu José, como o senhor deixa entrar um estranho, sem me avisar e justamente na hora do jogo do meu time?!! É sim! Tem um cidadão em frente a minha porta com um buquê de flores. Bliiiim!!!! Ele é louco, ouça Seu José! Não vou atender! O senhor fez a besteira, agora venha e resolva este assunto já! Faça isso agora ou sou obrigado a reclamar para a administração!  Desliga o interfone, Pênalti!! Porra!! Cai estatelado em seu confortável sofá, toma uma boa golada de cerveja. Bliiiim!!!! Ah, não!! Vou dar uma porrada neste filho da puta!!! Confusão no campo. Jogadores do time adversário em volta do juiz protestam. Este continua impassível, irresoluto, e os jogadores saltam os olhos para fora, falam berrando na cara do arbitro. Bliiiiiiiim!!!! Inferno!!! Levanta-se pronto para o ataque. Seu José acaba de chegar, nervoso, apavorado, convida gentilmente ao rapaz das flores a se retirar. Sem sair do lugar, este apenas balança a cabeça negativamente. Mas que porra é esta?! O juiz acaba de erguer um cartão vermelho. Filho da puta!!! A coisa começa a esquentar. Seu José puxa o rapaz pelo braço, que resiste bravamente. O jogador número 7 já está ajeitando a bola na marca do pênalti e o goleiro parece estar congelado, braços e pernas estendidas olhos mirando o seu adversário. Seu José já está perdendo as estribeiras. Agarra o rapaz pelo pescoço e o arrasta até o elevador. O juiz apita. Chute forte pelo canto direito. Por um milésimo de centímetros a angústia do goleiro estava feita. Goooolll!!!! Porra!!! Furiosamente nosso herói abre a porta, dirige-se  para o elevador e lá estava o pescoço do rapaz nas mãos de Seu José.  Nosso triste torcedor arranca as flores das mãos do rapaz  começa a comê-las joga o que sobrou no chão volta para o apartamento e bate a porta sem olhar para traz.

Dia seguinte. Houve a maior chuva dos últimos 8 anos. Tráfego intenso.  O rapaz olha para o emblema de seu time, colado em seu porta-luvas. Chora de emoção. Nem pensava mais nas flores.


















































Célia Demézio
Enviado por Célia Demézio em 13/06/2006
Código do texto: T174540
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Sobre a autora
Célia Demézio
Santos - São Paulo - Brasil, 49 anos
9 textos (248 leituras)
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