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Amanhã, Armando.

- Amanhã...
  Amanhã quando...
  Meu amor, amanhã...
  Não. Sem essa de “meu amor”.
  Armando: amanhã, quando tu me vir com outro, não quero
que me odeies. Isso.
  Armando, amanhã, quando tu me vir com outro, não quero que me odeies. Apenas quero que tu lembres Armando, que não me tens por orgulho, por vingança. Apenas lembres que o que eu vou fazer não é nem por vingança nem por orgulho, mas em minha honra. Olha para trás antes de sentires raiva e vê a mim todos os dias fadada a olhar tu desfilando com... com ela.  Estou aqui organizando o que eu te diria, se não fosse tu um cabeça-dura, se não fosse tu um irracional e se ainda tivéssemos contato. Tu lembras Armando? Que dizíamos que seríamos para sempre amigos, que nos amaríamos eternamente, mesmo que nos separássemos, que morrêssemos, que ficássemos vegetativos? Armando, lembra que falávamos em fugir, em casar, em vivermos numa fazenda, plantando e colhendo, nutrindo a alma com amor?  E agora isso, esbarrar na rua com vocês e fingirmos estranhos, sem vidas sem passado, sem histórias nem memórias Armando! Amanhã quando me vir com outro, não pense mal de mim, mas antes lembra com quanto mal foste capaz de envenenar-me, entre tantas atitudes foste capaz de sufocar-me, por quantas palavras foste capaz de matar-me. Não me julgue, mas também não finja não me ver, porque quero que veja Armando, quero que veja que não estou sentada a te esperar enquanto passeias com outra, quero que veja que teu orgulho de nada valeu. Não quero que sofras Armando - não quero que sofras! - mas quero sim que entristeças de não me ter, que padeças nas lembranças, que viajes em nossos tempos, não com mágoa, mas com bruta saudade. Foi bom, não foi, Armando? Amanhã quando me vires com outro, quero que esqueças minhas falhas e meus gritos, minha histeria e meus abusos, quero que fique em ti o meu carinho e meus abraços, meus sussurros e meus beijos, meu cheiro e meu gosto. Poderias ter tido tudo Armando. Tudo se tivesses voltado, um passo atrás somente, tudo se tivesses me procurado, um telefonema apenas, tudo se tivesses me amado do jeito que dizias e do jeito que me fizeste acreditar que amava. O mundo aos teus pés, a vida nas mãos ô homem, um porto seguro de conforto inabalável, afeto que nunca se destrói.  Se agora talvez me desses um poema, um buquê de rosas, carinho o suficiente, prova de afeto, talvez eu voltasse para ti. E amanhã quando me vires com outro quero que os anjos me envolvam em purpurina e graça e que tu me veja Armando, e que tu me queiras Armando. Um olhar teu bastaria para que eu esquecesse o tempo que te dedicaste a ela e não a mim, a mão que segurara a dela e não a minha, a boca que beija o corpo dela e não o meu. Acho que já não quero poemas, rosas, provas, declarações, eu só quero a palavra, a palavra que é boa e não a que me humilha, aí eu volto, porque quando foste embora me prometi o orgulho, mas tudo muda, Armando, eu mudo também. Podes ter tudo, o mundo aos teus pés, a vida em tuas mãos, eu ao teu lado, basta querer Armando, basta pedir. E amanhã quando me vires com outro me perdoas, por não te merecer, por eu merecer melhor, por te querer demais, me perdoas por eu estar com alguém que me oferece vida e meu coração ainda estar contigo que não me ofereces nada, me perdoa Armando, amanhã quando me vires com outro, por eu não poder te dizer estas coisas, e amanhã Armando, quando me vires com outro, percebe apenas somente que luto por ti.
Anna P
Enviado por Anna P em 16/06/2006
Código do texto: T176388
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Sobre a autora
Anna P
Curitiba - Paraná - Brasil
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