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MENÇÃO A VOCÊ NUMA NOITE TRISTE DE QUINTA-FEIRA


Sinto falta. Não sei se de você ou do que me vem de você quando você não está. Não importa: sinto falta apenas, não quero trazer esta falta ao mais real; será que você me quer, será que a gente combina, será que você mudaria, será que eu tenho jeito, será que de repente tudo viraria mágica.

Estou enlouquecendo nesta cidade. Nem posso te chamar, não tem muito que fazer, não faço! Estou em prostração, é um estado novo das coisas. Pensei bastante nisto tudo do sem-nome, também nisso tudo de você e as lembranças que traz. Você é doce: nunca me deixa rancores eternos. Você é de outro mundo, todo mais fácil e sem tempo ruim, quero os cachos dos teus cabelos longos mais perto de mim. Tem uma coisa que me diz: ao seu lado o mais além do azul tem alcance.
Tem esperança nisso de você, é vislumbre de remediar a realidade sufocante, nem é fugir, é possibilitar.

Queria que você fosse minha: você assim dói não ter, conhecer, dói querer não ter. É besteira. É ruim assumir se assim tão sem mãos. Você não presta mulher, eu também não presto, eu entendo, quem é que faz valer prestar hoje em dia?

A cidade me adoece. Enlouquece. Tão preso, tão bicho, tão sem respostas. Não sei: estas luzes estes carros estes gritos fugas esta coisa do outro nome que dá a calhar chamar tristeza. Querer fugir. Mais. Acreditar ou desacreditar de vez. Voltei nestas esperanças: focando-me ao que resta de marias, lares, coisas construídas entre pessoas. Quero te dizer tudo isso pra saber o que é que você acha.

Muitas curvas vão se tramando no caminhar do meu pensamento. Lembro muito do que me falta ser para suportar o que me remete sua ausência. Então é por aí que você vai surgindo numa quinta-feira tristonha.

Tenho também sentido falta de estar sentado no sofá naqueles tempos da casa branca, compondo um pequeno e essencial "estar" no grande viver, mas assim só como pano de fundo espalhado-distante deste tal sofá em meio a seguranças e despreocupações. É o não agora: o agora é sempre mais difícil que antes.

Não quero dizer bobagens, no entanto.
Queria só dizer que se um dia surgisse, fossem lúcidas quaisquer menções de mim a você.
Anna P
Enviado por Anna P em 17/06/2006
Reeditado em 28/06/2006
Código do texto: T177504
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Sobre a autora
Anna P
Curitiba - Paraná - Brasil
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