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Cinema mudo

Sentou-se na última fila em uma cadeira vermelha daquele cinema no final da rua dos ventos.Eram as últimas cadeiras das quais ainda poderia ter-se uma visão privilegiada. Acometido por um paradoxo de alegria e vazio ao mesmo tempo-algo até então comum-vindo daquele garoto que na adolescência costumava pintar calçadas com giz de pedra carvão. Era perceptível nos olhos vermelhos (pelo relativo consume demasiado de vinho tinto em um bar da esquina da rua 51) nada estava tão lúcido. Aqueles
questionamentos de amores implícitos vinham de encontro ao contexto do filme, uma miscelânea de drama e romance pelas ruas da Áustria do século XX. Vinha de encontro aos andares despretensiosos dos personagens por entre rua e vielas com pouca Luz e bares boêmios, embora ainda não fosse noite, o dia era noite velada.
Ainda assim acreditavam que o amor altruísta é paciente e pacato, nasce e têm vida na hora exata. As convicções são prenúncios de tempos em tempos, consumíveis ou não, estão extrínsecos aos olhos que vigiam olhos. Paciência é aptidão. Os braços se curvaram no segundo exato, ainda que seja na última fila. Preferem entrar sem serem convidados.
É assim, sempre será.
Mudo é o cinema que vejo...
             Lucas Chibinski /05/2005
Eperdus
Enviado por Eperdus em 19/05/2005
Código do texto: T17883
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Sobre o autor
Eperdus
Curitiba - Paraná - Brasil, 43 anos
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