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Chupa Meu Pau



Hoje peguei uma moça linda, confesso que fiquei com pena, mais tive que corta-la, eu a abri inteirinha, comecei pela barriga, fui subindo até a garganta, tirei todos os seus órgãos. Aquele sangue todo escorrendo pelas minhas mãos...
Fui para casa, tinha um encontro com Luci, a mulher da minha vida, iria pedir ela em casamento, já no portão encontrei o Rafão, ele viu a minha mão suja de sangue, o Rafão era foda, contei tudo a ele.

- Como você consegue, Sérgio?

- Consegue o quê?

- Agir desse jeito.

- Quê jeito Rafão? Para de embaçar, e fala logo.

- Cara, você é um assassino, age como se nada tivesse acontecido, essa história da moça que você acabou de me contar, nem parece que foi hoje...

- Eu sei, Rafão, as vezes me sinto um assassino mesmo, mais não posso deixar que isso atrapalhe minha vida, cara.

- Tá legal, mais e aí, Sérgio, vai mesmo pedir a Luci em casamento?

- Vou sim Rafão, aliás, já está quase na hora, vou na casa dela.
Me encontrei com Luci no horário combinado, jantamos e depois fomos dar uma volta, conversamos muito, retornamos para sua casa, entramos e tivemos uma ótima noite de amor, quando acordei fui até a cozinha, preparei o café da manhã e levei para Luci na cama. Quando terminamos de tomar o café, a pedi em casamento...

- Sérgio, eu te amo, mais você não acha que está cedo demais?

- Não, eu não acho, quero você do meu lado pra sempre.

- Também quero, mais agora eu quero aproveitar um pouco mais, estou confusa, por favor, tenta entender.

- Tudo bem, Luci, eu prometo esperar, não vou forçar a barra. Agora tenho que ir, tá?

- Você ficou magoado comigo, né?

- Claro que não querida, tá tudo bem, mais é que eu preciso ir mesmo.

- Você vem me ver hoje?

- Venho sim.

Beijo.

- Te amo.

Saí da casa da Luci, meio sem noção, parecia que eu estava zonzo. Confesso que eu estava bravo, irritado, e meu dia não ia ser fácil. Era como se eu tivesse levado uma paulada na cabeça. Puta que pariu meu, por quê ela não aceitou? Será que tem outro na jogada? Que merda, tenho que parar de pensar besteira, ela está confusa, só isso.

- E ai, Sérgio, beleza cara?

- Não tô muito legal não, Valter.

- O quê tá pegando cara?

- Nada não, deixa quieto. Mais me fala, cadê o homem?

- Ele tá lá na sala , Sérgio.

Fui até a sala e fiz o meu trabalho, queria sair de lá o mais rápido possível...

- Aí, Valter, preciso ir.

- Mais e o cara, Sérgio?

- Ele tá lá deitado, todo cheio de sangue. Termina pra mim, quebra essa, não tô legal.

Andando pela rua acabei encontrando o Rafão, a última pessoa que eu queria ver hoje, o cara só sabe me zuar e eu não estava com paciência...

- Sérginho, meu camarada, como é que vai cara?

- Tô bem, Rafão. Olha cara tô meio sem tempo, tá?

- Qual é, Sérgio, não tem um tempo para o seu camarada não, é? Virou boyzinho, foi?

- Rafão,... num enche.

- Já saquei tudo, a “mulher da sua vida” não aceitou o pedido de casamento, é por isso que você tá todo sensível...

- Não me enche, Rafão, não tô legal hoje, e não quero brigar com você cara.

- Acertei, hein...

- Aí, não dá cara, na boa.

- O quê foi, Sérgio, vai brigar comigo...

- Aí Rafão,... enfia o dedo no cu e cheira, cara.

- Já vi que a coisa é séria mesmo, foi mal, Sérgio, desculpa. Eu gosto de te zuar, cara.

- Eu sei, mais hoje não dá mesmo, na boa. Me desculpa de ter falado aquelas coisas, você não tem culpa de nada, Rafão.

- Tudo bem, mais você está chateado porque ela não aceitou o seu pedido, não é? Eu sinto muito.

- É, você acertou, Rafão, mais não quero tocar nesse assunto.

- Vamos falar sobre outra coisa então, deixa eu ver,... Há já sei,... pegou alguém hoje?

- Peguei. Peguei um homem...

- Me conta, fez picadinho dele, cortou o cara...

- Esse eu deixei pela metade, pedi para o Valter terminar com o serviço pra mim.

- Então você não fez nada com o homem, Sérgio?

- Eu deixei o cara cheio de sangue na sala, claro que comecei, deixei ele cortado.

- Cara,... você é um assassino mesmo, adora esquartejar as pessoas, hein...

- Rafão, para de me chamar de assassino, porra.

- É só pra descontrair um pouco.

Mais tarde fui ver Luci, como havia prometido, passamos a noite juntos, ela ainda me lembrava do que havia acontecido, ficava toda hora perguntando se eu ainda estava magoado com ela, confesso que se ela não parasse de ficar perguntando aquilo, eu ia ficar puto da vida mesmo, e acabaria cometendo uma loucura, mais passado algum tempo parece que ela se cansou e esqueceu o assunto e pegamos no sono de novo .

Passado alguns meses, Luci, finalmente aceitou meu pedido de casamento, era mês de maio, e no final do ano nos casamos. Foi uma festa maravilhosa, e advinha quem foi meu padrinho,... é ele mesmo, o Rafão, apesar do cara levar tudo na brincadeira, eu adoro ele, afinal, crescemos juntos, morávamos na mesma rua, o cara é gente fina.
Com o tempo, Luci, começou a me pedir para eu parar de cortar pessoas, é claro que ela sabia, contei a ela,... mais eu não queria parar.

- Querido, para de fazer isso, não se sente mal?

- Sinto Luci, mais não posso parar, na verdade, eu não quero parar.

- Porque não, Sérgio?

- Porquê é a área que me formei, médico legista e devo confessar que adoro. E quem não gostar que chupe meu pau.


Juliana Cristofoletto
Enviado por Juliana Cristofoletto em 19/10/2009
Código do texto: T1875849

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Sobre a autora
Juliana Cristofoletto
Araras - São Paulo - Brasil, 29 anos
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