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A essência dos conselhos em nossas vidas.

Em um interior bem pacato no Nordeste brasileiro, morava seu Jovino, um dedicado agricultor, que cultivava muito bem as grandes terras cujo dono era um grande fazendeiro que o explorava tanto com um miserável salário, quanto com horas intermináveis de trabalho. Devido a essas condições, Jovino sofria, pois morava com sua mulher, Dona Joana que estava desempregada e deprimida.
Foi no raiar do crepúsculo, logo que o humilde agricultor estava a sair do trabalho, encontrou-se com um grande amigo que veio dar as boas vindas e oferecer-lhe  uma proposta irrecusável. “Meu caro Jovino, o meu tio está necessitando de um grande agricultor para tomar conta de suas terras, logo me lembrei de você.” Comentou com entusiasmo. “Não posso aceitar tal proposta, porque já tenho um trabalho fixo que me rendeu alguns tostões, deixá-lo seria um suicídio, é melhor eu me sustentar em meu atual trabalho, embora seja sofrido a me arriscar em outro ofício o qual não tenho conhecimento. Dito isso, o amigo com um ar de muita insistência o indagou: “o que é melhor, um trabalho no qual você é bem valorizado, ou um trabalho que você é tratado com escárnio?” Mal completou a indagação já foi logo respondendo, “aceito a proposta de seu tio!”
Deixou a mulher que tinha se recuperado da situação de lamúria na qual se encontrava, prometendo-lhe voltar, logo que acumulasse uma grande quantia em dinheiro para dá fim ao caos que haviam mergulhado.
Percorreu mais de 10 léguas à pé até chegar à casa onde estava lhe esperando com braços abertos o tio de seu grande amigo. Quando deu o primeiro passo no terreno de Seu Domingues o abraçou e deu as boas vindas, dizendo que era filho da casa e que embora tivesse passado por uma lastimável situação no passado, seria valorizado, ganhando o respeito e a dignidade que não ganhou no antigo trabalho.
Depois de um pedaço, logo após a chegada de Jovino, seu Domingues disse que iria trabalhar durante 20 anos, e depois desse longo período, poderia voltar para casa, visto que já possuiria uma grande remuneração pecuniária.
Durante as duas décadas, havia se tornado um mestre em agricultura; foi alfabetizado, ganhando grande domínio em áreas como literatura, matemática, física, química, história, geografia, política, filosofia e religião; enfim, conquistara, além desses vastos conhecimentos, toda fé que tinha perdido antes de ter pisado na terra abençoada de Mestre Domingues.
Quando passara os vinte anos de permanência no trabalho, Domingues deu todo o dote que seu fiel amigo e trabalhador merecia e disse-lhe assim que estavam se despedindo: “dar-te-ei três conselhos essenciais que irão ajudá-lo quando estiver  voltando para sua casa, primeiro, caso veja dois caminhos, escolha o mais comprido, logo custará a sua vida se pegar o mais curto; segundo, caso se hospede em alguma pousada, não abra a porta quando alguém estiver batendo, pois custará a sua vida e por último,  não se surpreenda quando chegar em casa, tomará um susto por algo inusitado que aparecerá para iluminar a sua vida”.
Recebendo os três conselhos saiu em direção de casa, deparando-se com dois caminhos: o primeiro era repleto de pássaros cantarolando de um lado para o outro, tinha ainda belas árvores e um trajeto que o levaria mais rápido para casa, já o outro caminho era repleto de acidentes geográficos, apresentando um aspecto mórbido, e era bem mais longo. Se recordou imediatamente o que Mestre Domingues o advertiu a respeito  dos caminhos e optou pelo caminho mais longo, apesar da morbidez no qual apresentava. Livrou-se por pouco de uma alcatéia de lobos que sempre se alimentavam de animais indefesos e peregrinos que passavam sempre pelo caminho mais curto.
Mais adiante, andava já bastante exaurido, quando avistou de repente uma pousada, onde passaria a noite, refazendo-se da longa jornada já percorrida. De repente acorda com gritos vindos de fora e um baticum incessante na porta de seu quarto, era um homem pedindo para abri-la. Recordou-se logo do segundo conselho e não abriu a porta para o estranho, já que era muito esdrúxulo tal aparecimento em plena madrugada.
Saiu cedo, mas antes acertou as contas com o recepcionista da pousada, que pediu desculpas pela reação do seu filho, pois costumava dar crises de loucuras e era capaz de matar quem lhe desse atenção.
Logo após ter feito uma imensurável viagem, chegou em casa muito cansado, mas com uma chama de amor bem grande pela esposa que ainda carregava arraigado em seu coração. Entra, sorrateiramente, prestes a presenteá-la com todo o afeto e dotes que mudariam definitivamente suas vida, quando avistou um homem abraçando-a e beijando-a na face.
Jovino ficou estático, logo que viu tal cena, criticou-a veemente: “como você pôde me trair, depois de dedicar anos de trabalho, tudo para nada.” Correu para mesa apoderado de uma cólera, pegou uma faca que ia cravar no peito do rapaz quando se recordou do terceiro conselho de mestre Domingues: “não se surpreenda quando chegar em casa, tomará um susto por algo inusitado que aparecerá  para iluminar a sua vida.”  Soltou pusilânime a faca e pediu desculpas. A esposa o compreendeu e disse com um sorriso iluminado, agora você tem um filho querido para amá-lo e apesar de quase mata-lo. Jovino olhou pasmo, porém bem aliviado, jogando-se aos braços da mulher e do filho amado!



Raphael Barbosa Lima Arruda
Raphael Arruda
Enviado por Raphael Arruda em 11/07/2006
Reeditado em 25/09/2006
Código do texto: T191570
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Sobre o autor
Raphael Arruda
Fortaleza - Ceará - Brasil, 33 anos
14 textos (15358 leituras)
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