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Minha Primeira Vez...

Não era uma questão cronológica, era mental, atemporal. Meu corpo, havia muito, estava pronto. A essência demorou um pouco mais para tomar consciência, para estabelecer o momento. Não esperava candelabros com velas aromáticas e lençóis brancos de seda. Não esperava a dor sublime da defloração. Almejava o jubilo sensual. Puro, sem misticismos. Não passávamos por um momento amoroso adequado. Nossas neuras, inseguranças e ciúmes costumeiro eram descontados nervosamente carícias nada românticas...
Um queria evidenciar ao outro o que perderia com a sua ausência, no caso de uma traição. A distância. Kilometros que distanciavam a confiança mutua... Ninguém seria melhor do que eu. Ninguém seria melhor do que ele.
A arte de desvendar corpos semi-imaculados seríamos exímos, um no outro. Talvez essa necessidade de se provar insuperável, fosse nosso último elo. Amarra sexual. Animal. Beirando a irracionalidade. Estávamos a medir forças.
A boca sugava gritos exasperados do corpo latejante.
As mãos, ao invés de acalmar, profanavam os nervos.
Os olhos mastigavam a inocência astuta que tínhamos.
Não, não queria músicas melosas ao soar em meus ouvidos. Queria a música libidinosa a sacolejar-me.
Queríamos provar.  Provar o prazer. Fosse ele qual fosse, da forma que tivesse. Degustar do pecado, que um deus me proibiu. Padecer no prazer que um homem estava a desafiar.
Seria eu, a sua afirmação mais concreta. Sendo ele, sempre a minha negação impalpável.
Seria eu, seu pranto saudoso e recluso. Seria ele, meu sorriso debochado.
Seria eu, sua mestra, autodidata. Foi ele, meu discípulo errante.
Puxei-o pela mão. Seria eu, a conduzi-lo. Caberia a mim, guiá-lo a caminho da cama, mas de tão incapaz, perdeu-se no meio do caminho!!!
E nunca mais fiz questão de localizá-lo.
O deleite também não foi encontrado, mas a supremacia estava registrada, dando-me ânsia para descobri-lo, mesmo que em casas a serem construídas, agraciando-me com vista para um céu cheio de estrelas, que brilhariam em meus olhos.
Cherry
Enviado por Cherry em 24/05/2005
Código do texto: T19342
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Sobre a autora
Cherry
São Paulo - São Paulo - Brasil, 40 anos
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